O medo é uma emoção primária, presente desde o nascimento, e muito comum na infância e adolescência (1,2). Na maioria das vezes, o medo é uma reação adaptativa: proteger os indivíduos de situações potencialmente perigosas (3-5), fazendo com que a criança busque estratégias para enfrentar o perigo imaginário/real (SCHOEN E VITALLE, 2011).

O modo e a intensidade com que os menores sentem o medo variam de criança para criança, de acordo com o que o infante vivencia e com os fatores a que são expostos (ex. vídeos, filmes, histórias com personagens assustadores, conteúdos de terror ou agressivos).

Imagem ilustrativa

As fantasias, as imaginações assumem um papel preponderante nos medos das crianças e é a partir desse imaginário que o medo é potencializado. É na primeira infância que iniciam o medo do escuro, dos monstros, fantasmas, ladrões, temor relacionado à morte compreendendo-a como algo irreversível.

A partir dos 4-5 anos podem aparecer também, medos relacionados aos pais (que aconteça algo com eles), ser esquecido na escola ou o temor de se perderem em algum ambiente.

Paralelamente ao desenvolvimento e a maturidade da criança, surgem medos ligados ao contexto escolar. O medo de se expor, ir ao quadro, participar das aulas, entre outros, gerando apreensão, ansiedade e em algumas oportunidades inibição. Nesses casos, os medos estão ligados à identidade da criança, à sua auto-estima e sentimentos de insegurança.

Quais são os sintomas que podem ser manifestados?

* Identifica-se que a manifestação do medo na infância aparece com especial incidência na hora de dormir, momento em que a criança se sente “desprotegida”, pois se confronta com a separação física dos pais ou responsáveis.

* Deixar de realizar atividades importantes para sua vida (ex. deixar de brincar em algum ambiente do próprio lar por não ter um adulto ao lado).

* Os medos podem ser uma expressão da ansiedade relacionada a fantasias inconscientes. Relatos e sintomas de ansiedade são comuns.

* A emoção medo pode ser observada por meio das respostas motoras (posturas, gestos) e das respostas neurovegetativas (taquicardia, suor).

* Como manifestações do medo perceptíveis pelas outras pessoas, têm-se o retraimento social, apatia, tristeza ou, mesmo, dificuldade para concentrar-se nas atividades escolares ou em brincadeiras.

* À medida que esta emoção se torna mais presente em determinadas situações, podem surgir alguns problemas sociais, como a dependência dos adultos, dificuldade em manter a atenção e concentração, inabilidade para resolver as situações diárias que surgem.

Como ajudar?

* É essencial que os pais e/ou educadores saibam escutar a criança, desmistificar esses sentimentos e, sobretudo, ouvi-las e ajudá-las no sentido de encontrar estratégias eficazes para a resolução dos medos. É fundamental que os responsáveis pela criança valorizem esta emoção, demonstrando compreensão e empatia.

* É importante lembrar que não se diz à criança que “não precisa ter medo…” ou “esse medo é bobo”. É preciso fornecer segurança e acolhida necessária para o enfrentamento dos temores infantis, investindo em estratégias relacionadas ao tema em questão.

* Relacionado ao temor de ser esquecido, caso o responsável perceba que irá atrasar para buscá-lo, avise as professoras e peça para informarem o infante que chegará mais tarde ou que outra pessoa virá buscá-lo.

* Observar e acompanhar os conteúdos visualizados pela criança (televisores/tecnologia).

* Acompanhar as manifestações e sentimentos de medo associados à situação/evento dificultoso (falecimento de familiares, divórcio dos pais, entre outros), é um indicador importante para auxiliar a criança a lidar com o sentimento e com o fato, impedindo que o sofrimento evolua para prejuízos maiores.

* Quando perceber que os medos possuem uma intensidade extrema, gerando sofrimento (mudanças no comportamento, no humor e desinteresse) e prejuízo à criança (isolamento, perda do contato social, no espaço escolar ou entre amigos) orienta-se a busca de auxílio profissional da área da psicologia.

Autoras do Blog:

Ana Valéria Souza

Fonoaudióloga formada pela PUC-PR.
Fonoaudióloga Clínica desde 2000 atuando com intervenção nos distúrbios da comunicação. Fonoaudióloga Educacional desde 2008 desenvolvendo projetos de prevenção, triagens, formação de professores e orientação aos pais. Premiada pelo Sindicato das Escolas Particulares do Paraná pelo projeto “Crescendo e Aprendendo”(2015).
CRFa 7370-PR.

Yasmine Hernandes David João

Psicóloga formada pela Universidade Positivo.
Psicóloga clínica, trabalha com crianças e adolescentes. Atua com transtornos geralmente diagnosticados pela primeira vez na infância ou adolescência.
CRP-08/24131.

*Especialização em Educação Especial Inclusiva com Ênfase em Autismo – cursando.