No final dos anos 90 me formei como profissional habilitada para “tratar” dos Distúrbios da Comunicação. Nessa época as pessoas passaram a falar mais sobre patologias como o Autismo, as famílias passaram a se organizar e reconhecer os sintomas dessa patologia, cujo prejuízo na linguagem e interação social pode levar ao isolamento. Vinte anos se passaram e hoje, diante de critérios específicos de diagnóstico a prevalência de Autismo chega a 1 para cada 68 crianças. Felizmente, o aumento dos casos fez aumentar as pesquisas e as possibilidades de tratamento, dentre eles a intervenção fonoaudiológica como parte de uma equipe multidisciplinar.

Foto: Grupo Conduzir

Assim como na saúde, os profissionais da educação vêm se instrumentalizando para aprimorar seu trabalho e torna-lo inclusivo para melhor atender essas crianças. Não há espaço para “fazeres” repetidos ou velhas experiências. É hora de discutir, aprimorar e contribuir para uma aprendizagem real que amplie e transforme realidades. Muitas escolas já contam com um aluno autista em cada turma nos níveis de Educação Infantil.

Diante desse contexto, políticas públicas e legislações buscam formalizar ações e garantir que os educadores possam adquirir a formação necessária para assegurar a aprendizagem e socialização de seus alunos. Porém, o que se mostra eficiente para a aprendizagem é a rede de apoio que se forma entre pais, professores e especialistas.

Essa rede deve ser responsável pelo engajamento, apoio e execução de projetos e protocolos de atendimento. Deve-se compreender os fatores biológicos e a história de cada aluno diagnosticado autista para que seja atendido em todas as suas necessidades educacionais especiais. Aos pais cabe a responsabilidade por colaborar com a intervenção, seguir as orientações e participar da rotina educacional do seu filho.

Mudanças históricas nas áreas da saúde e da educação implicam em ajustes sociais que deverão ocorrer com mais força nos próximos anos. Diferentemente do que ocorreu em gerações anteriores, nossos filhos convivem com indivíduos com sinais de TEA (Transtorno do Espectro Autista) dos mais leves aos mais severos e todos farão parte das mesmas experiências sociais na adolescência e vida adulta. O foco atual pode ser a educação inclusiva, no entanto o futuro nos reserva uma sociedade inclusiva.

Autoras do Blog:

Ana Valéria Souza

Fonoaudióloga formada pela PUC-PR.
Fonoaudióloga Clínica desde 2000 atuando com intervenção nos distúrbios da comunicação. Fonoaudióloga Educacional desde 2008 desenvolvendo projetos de prevenção, triagens, formação de professores e orientação aos pais. Premiada pelo Sindicato das Escolas Particulares do Paraná pelo projeto “Crescendo e Aprendendo”(2015).
CRFa 7370-PR.

Yasmine Hernandes David João

Psicóloga formada pela Universidade Positivo.

Pós-graduação – Educação Inclusiva com ênfase em Autismo.

Treinamento – Intervenções precoces no Autismo ABA / PRT / Modelo Denver- com a metodologia de ensino da CBI of miami .

Atua como psicóloga clínica em consultório particular e psicóloga Escolar em instituição de ensino privada.

CRP-08/24131