Livro, propositalmente de tiragem restrita, tem o aval de autoridade em crítica literária, Olga Kirinus.

Clèmerson Clève; Professora Glória Kirinus

Mesmo os mais bem informados jornalistas acostumaram-se a identificar Clèmerson Merlin Clève basicamente como constitucionalista de alto coturno, a ponto de ter sido parte das bancas universitárias que conferiram grau de doutor a 3 dos 11 ministros do STF. Isso poderia, por si só, bastar para dimensionar o peso do advogado. Mas Clève tem outras marcas igualmente relevantes: educador, foi professor titular de Direito por anos da UFPR; antes fora procurador do MPF; fundador do Centro Universitário UniBrasil, do qual é o chanceler.

Agora, ao grande público revelam-se outros ângulos desse inquieto (mas controlado) acadêmico de múltiplos talentos, quando Clève lança “Amor Fati”, uma cativante coletânea de poemas criados na juventude; e também , na semana passada, em edição limitada – não mais que 500 exemplares – o livro “Serra Pitanga”, que a professora Wanda Camargo define com sensibilidade de mulher muito inteligente e sensível: “contém memórias, não de fatos vividos, mas daqueles sonhados, pensados, temidos”.

FERTILIDADE ENORME

Eu mesmo, que me alegro em privar da amizade de Clèmerson Clève, só agora me apercebo de quão fértil tem sido a vida desse constitucionalista, que não é neófito nenhum em poética e literatura.

Pelo contrário, descubro que ele tem até premiação de importância nacional em autoria dramatúrgica. E que é dono de currículo com amplo e variado reconhecimento ao homem de espírito que o identifica. Essa é marca que ele porta, discretamente, desde os tempos de estudante. Tudo muito de acordo com a elegância à Clève.

AS RECORDAÇÕES

Nada mais esclarecedor sobre o livro de Clève do que a opinião que recolho de uma mulher inteligente e superiormente sensível, professora Wanda Camargo, organizadora de ‘Serra Pitanga – Memória (quase) poética de uma temporada no céu’:

– Trata-se de um livro de memórias, daquelas em que não se recordam os fatos vividos e sim os sonhados, pensados temidos; não o que se viu, mas o que foi contado. Uma obra em três tempos, porque publicada na fase da maturidade, que relata um jovem olhando sua infância, seus primeiros contatos com a vida, com a morte, com os outros, quando tudo ainda é devir”.

CARTOGRAFIA DE TERRA FIRME

O posfácio é assinado por Gloria Kirinus, doutora em Letras e autora consagrada de livros teóricos na área de Letras e Educação:

“Neste livro de Clèmerson Merlin Clève, que ao modo de Carlos Drummond de Andrade, abraçando sua Itabira, nos abraça de verdade no fundo e na forma, encontramos uma serra de corte irregular, numa cartografia de terra firme, margens, rios e mares; tudo retratado em versos que espelham a própria serra.”

TERRA MULTIFACETADA

E diz ainda Olga Kirinus: “Será que o autor nos encaminha para um território multifacetado de diversos estilos ou ele inaugura um estilo próprio? Vai saber… Ah, caleidoscópio vibrante de uma vida que se organiza em obra. Sim, em obra operante no imaginário do leitor”.

CENTRO-SUL

Serra Pitanga é, também, o memorial de uma cidade do Centro-Sul do Paraná, e de seus mitos. O pai do autor, desembargador Jeorling Cordeiro Clève, escreveu vários livros em que trata desta região na ótica do historiador, destacando-se “Memória de Pitanga” que, em outra vertente, pode ser somado à obra do filho.

SOBRE CLÈVE

Autor que agora vai se apresentando ao leitor com suas qualidades poéticas, Clèmerson Clève, é advogado e professor universitário em Curitiba.

Jurista conhecido, é autor de inúmeros livros nas áreas do direito constitucional e administrativo. Durante o curso de direito na Universidade Federal do Paraná publicou artigos, contos, narrativas e poemas na Folha Acadêmica do Centro Acadêmico Hugo Simas, o famoso CAHS.

DESDE ESTUDANTE

Recebeu menção honrosa em concurso de poesias promovido pela Casa do Estudante Luterano Universitário – CELU e pela Secretaria de Estado da Cultura e do Esporte do Paraná, sendo o seu poema publicado na Antologia I Concurso de Poemas CELU. Foi, também, classificado nas categorias de conto e poesia, no Concurso de Contos e Poesia promovido pelo Diretório Acadêmico Rocha Pombo do Paraná – DARPP.

ARTES CÊNICAS

Alcançou, ainda, o segundo lugar no Concurso Estadual de Dramaturgia, na categoria autor, promovido pelo Instituto Nacional de Artes Cênicas juntamente com a Fundação Catarinense de Cultura. A peça integrou coletânea providenciada pelo governo do Estado de Santa Catarina.

Publicou também, no ano de 1981, poemas e contos na antologia II Ato, editada pela Editora Beija-Flor.

NOVA PREMIAÇÃO

Em 1985 foi premiado em novo concurso de poesias promovido pela Casa do Estudante Luterano Universitário – CELU, merecendo, o seu poema, presença na antologia II Concurso de Poemas CELU.

NO GRALHA AZUL

Na mesma época, conquistou o primeiro lugar no Concurso Nacional de Dramaturgia (Gralha Azul) na categoria autor.

As duas peças de teatro foram, depois de muitos anos, reunidas no livro Teatro Inexperto em 2 peças quase distópicas, publicado pela Editora Artes & Textos em 2011.

Finalmente, em 2019, os velhos originais do opúsculo Amor Fati (Poemas da idade jovem em tempos sombrios) ganharam vida, assim como agora Serra Pitanga.

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