Christiane Yared também se coloca no páreo, com eleitorado muito fiel

Christiane Yared: muitas dores; Fernando Francischini: capacidade de organização; Ney Leprevost: agenda que impressiona; Gustavo Fruet: também no páreo

Sempre bem informado sobre o mundo político de Curitiba, o blog do Tupan publicou, semana passada, que já chegaria a 30 o número de candidatos à Prefeitura para as eleições de 2020.

Alguns deles, embora ainda não apareçam entre os mais “votados” em pesquisas de opinião, como a recentemente divulgada pela Paraná Pesquisas, podem incomodar candidatos muito acomodados. É o caso de Christiane Yared, deputada federal reeleita, e que conquistou seu público fundamentalmente na defesa das vítimas do trânsito, mas não indica ter fôlego para se tornar prefeita.

 

MORTE DO FILHO

Christiane projetou-se como mãe justamente dilacerada pela morte de um seu filho (e de um amigo dele) em acidente de trânsito no Champagnat, anos atrás, o qual envolveu o então deputado estadual Ribas Carli.

Beto Richa foi o alvo preferencial das reclamações de Yared, para a qual, o então governador teria sido responsável pelo sumiço das gravações da hora do acidente feitas por equipamento do Detran/URBS. Sem elas, ficou difícil provar culpas.

Richa sempre negou as acusações. Pediu que fossem provadas.

 

ELES É QUE CONTAM

Na prática, hoje em dia são considerados fortes candidatos à Prefeitura o atual alcaide, Rafael Waldomiro Greca de Macedo, o secretário de Justiça, Família e Trabalho dó Paraná, Ney Leprevost, e o deputado estadual Fernando Francischini.

Claro que se pode colocar um quarto nome, dono ainda de alguma densidade eleitoral, o do ex-prefeito Gustavo Fruet, um parlamentar de qualidade.

 

CANETA CHEIA

O alcaide Rafael Valdomiro faz a melhor velha política: distribui benesses a mancheias, em forma de cargos e vistas grossas sobre algumas questões públicas para as quais “se faz de morto”, assim beneficiando seu entourage.

Hoje, caminhando para os 65 anos, Rafael Valdomiro aprendeu na velha escola do PDS, o partido que dava apoio ao governo militar, e pelo qual conseguiu seu primeiro mandato de vereador. Depois, foi do PFL e até do PMDB…

Foi criado por Jaime Lerner, que o tratava como se fosse quase um filho. E a quem, anos depois, iria trair fragorosamente, ao aliar-se ao constante algoz de Lerner, o também velho quadro político, o ex-senador Roberto Requião.

 

MUITOS ÁULICOS

Greca de Macedo, o alcaide, não apenas “reina na Prefeitura”: está cercado de uma corte, ou de áulicos, como queiram, que muitas vezes se digladiam entre eles. Por exemplo, o advogado Giovani Gionedis, velha raposa política, e o marquetólogo do alcaide, Marcelo Cattani, se ignoram, mal se cumprimentam.

 

INIMIGO DO INIMIGO

Assim como Margarita é declarada opositora de Cattani, a quem não perdoa a grande influência que ele exerce sobre o prefeito.

Cattani não se dá bem com a agência de publicidade GPAC, cujo dono é amigo de Giovanni, e que fez a campanha de Greca de Macedo, e continua na Prefeitura.

 

ARANHA MARROM

A chamada aranha marrom – é preciso registrar – também não destina nenhum olhar simpático a Lucas Navarro de Souza, 28, assessor privilegiado do prefeito, aquele que – segundo o jornalista Rogério Galindo –é a única pessoa capaz de discordar publicamente e sair sem pedir licença da frente de Greca, numa reunião pelo alcaide presidida.

Bota prestígio nisso…

 

FRANCISCHINI, CAMPEÃO

O deputado estadual Fernando Francischini pode ser alvo duplo de sua ligação com o presidente Jair Bolsonaro. Primeiro, pode ser beneficiário da ligação pessoal – muito forte, com o mandatário. Isso se Bolsonaro se sair bem no Planalto. Em segundo lugar, pode ser “vítima” de tão fortes laços com o homem mais poderoso do país, especialmente se o governo Bolsonaro não entregar o que prometeu em campanha.

 

DURO NA QUEDA

Para um velho deputado, companheiro de Fernando Francischini na ALEP, no entanto, será preciso anotar: “Francischini tem enorme resiliência, forjado que foi numa escola de disciplina e dificuldades, a Polícia Federal, quadro a que pertence”.

 

MUITO VOTO

Os 430 mil votos que Francischini conseguiu nas últimas eleições para deputado estadual – depois de ter sido deputado federal – dão bem a dimensão de sua capacidade de trabalho. Fez votos no Paraná todo, sem grandes apoiadores além de amigos, alguns prefeitos e fortes laços com a Assembleia de Deus, da qual é membro.

No entanto, esclareço: é um ser ecumênico.

 

NEUTRALIDADE

Francischini, amigo pessoal de Ratinho Junior – e também do poderoso Guto Silva – não tem dificuldades em afirmar: “o governador ficará neutro nas eleições de Curitiba”.

Ele até poderia insinuar-se bafejado por bênçãos palacianas, mas prefere a honestidade de informação.

 

NEY LEPREVOST

Da mesma geração de Fernando Francischini – ambos cidadãos na faixa dos 40 anos de idade – Ney Leprevost não é nenhum neófito na vida eleitoral.

Na eleição passada, perdeu por pouco para o atual alcaide.

Em compensação, hoje praticamente mostra-se dono de certo dom da ubiquidade: consegue cumprir muitas agendas, todos os dias, em diversos lugares, “ao mesmo tempo”, em função da SEJU, talvez a mais poderosa das secretarias de Estado (depois da Casa Civil, é claro).

 

INIMIGOS DE ESTIMAÇÃO

Os inimigos tentam emplacar defeitos inexistentes em Ney, o que bem indica o quanto seu trabalho incomoda.

Bom de articulação, ele e Francischini não escondem seguro relacionamento. Dizem assessores dos dois que eles teriam um pacto de não agressão: e estarão juntos num segundo turno, em qualquer situação, asseguram.

 

COM RATINHO JR.

Quem acompanha o noticiário do Governo pode admirar-se com a mobilidade de Ney Leprevost, que apita em múltiplas áreas importantes para a administração estadual. E com isso não vai apenas solidificando bases eventuais para uma futura disputa à Prefeitura.

Com essa correria, ele vai crescendo no acatamento do governador Ratinho Junior, a quem acaba livrando de muitos aborrecimentos do dia a dia administrativo.

Para ler a coluna completa do blog Aroldo Murá, clique aqui.