Luiz Fernando Guerra, PSL, 34, está mostrando desde os primeiros dias na Assembleia Legislativa que é muito mais do que um membro da chamada “República de Pato Branco”, o fértil núcleo urbano que tem gerado nomes importantes no Governo Ratinho Junior – como, por exemplo, Guto Silva, chefe da Casa Civil.

Luiz Fernando Guerra, inquieto e renovador; Sandro Alex: competência

Na semana, por exemplo, ele decidiu tocar firme num dos mais candentes e importantes interesses da comunidade paranaense, o do pedágio, questão sempre adiada pela maioria dos governos.

O de Cida Borghetti foi exceção louvável.

PROÍBE AUMENTOS

Guerra acaba de apresentar projeto de lei que proíbe o aumento na tarifa dos pedágios “até que o cronograma de obras seja cumprido”.

Esse “até” deve ser o maior cravo na vida das concessionárias, tal o número de reclamações sobre obras não cumpridas ou cumpridas fora do prazo.

No breve período da posse até hoje, o deputado apresentou ainda outros PL de relevante importância para o cidadão.

TUDO PELO USUÁRIO

O deputado diz: “A ideia é garantir a execução das obras sem que o usuário seja penalizado”.

Mais que isso, o projeto de Guerra quer mesmo é impor uma diretriz aos contratos de concessão e permissão de pedágios celebrados no Paraná, “para impedir aumento enquanto as obras e melhorias não forem concluídas”.

CONTRA ACOMODAÇÕES

Guerra chegou à ALEP com a gana dos parlamentares incomodados com o que ele classifica de “acomodação”.

Mostrou, de saída, como pretende se comportar na ALEP.

Tudo indica que será um contestador, mas muito bem fundamentado.

Assim se comportou, por exemplo, na eleição da Mesa Diretora, na inauguração da atual Legislatura. Foi um dos seis deputados que não votaram na chapa vitoriosa, juntamente com quatro deputados do PT e o deputado Boca Aberta Junior.

Acha que a hora é de renovação também na ALEP.

UMA ADMIRAÇÃO

Bolsonarista, forte quadro do PSL, eleito com 32.216 votos conquistados em 256 municípios do Paraná, Guerra prima pela franqueza: confessa claramente sua oposição à linha programática do PT. Mas abre uma ampla exceção para o deputado estadual Arilson Fioratto, em quem enxerga quadro de muito valor. Um raro espírito público.

FRANQUEZA INCÔMODA

A franqueza de Luiz Fernando Guerra pode até ser lida como “pouco política” pelos senhores da chamada política antiga.

Não se importa, acha-se com todo o direito, diz, de ser um renovador.

Assim, reprova a falta de clareza com que certo parlamentar se comportou ao declarar gastos com a campanha eleitoral de 2018: “O veterano deputado declarou ter gasto R$ 400 mil, enquanto, na verdade, gastou R$ 4 milhões em sua campanha. Já eu fui meridianamente correto, declarei os R$ 900 mil que apliquei em minha campanha.”

E, curiosamente, recebeu críticas, por causa da franqueza.

VOTO DE CONFIANÇA

Guerra não é oposição ao governo Ratinho Junior. Na verdade. Dá um voto de confiança ao novo governador. Tem grande admiração pelo secretário Sandro Alex, de Infraestrutura.

Não esconde estar “vigilante” a reclamações de eleitores, que apontam precariedade de hospitais universitários e péssimas instalações de escolas estaduais, além de “estado caótico” de muitas rodovias estaduais, diz.

BOICOTADO NA ALEP

Tem queixas, mais ainda, do universo dirigente da ALEP e dá como exemplo o seguinte: embora fazendo parte, como membro, de sete Comissões da Assembleia, não dispõe de funcionários em cargos comissionados, com os quais poderia melhor operar suas ações. Os outros deputados, no entanto, são aquinhoados com comissionados que os apoiam.

GRUPO EMPRESARIAL

Dono de sólida fortuna pessoal, sendo parte de potente grupo familiar, é um dos diretores, com mais dois irmãos, do Grupo Guerra, que opera em múltiplas áreas da economia no Paraná e fora do Estado.

A corporação é dona de fazendas dedicadas ao agronegócio, tem emissora de rádio de maior audiência em Pato Branco e região, indústria de alimentos, revenda da New Holland, comércio amplo de implementos agrícolas, comércio de defensivos, empreendimentos imobiliários e de PCHs, pequenas usinas hidrelétricas, sendo três delas em Santa Catarina.

PLACAS TÊM DE EXPLICAR

Há dois outros projetos de lei de Guerra muito relevantes, apresentados na Assembleia: um dispõe que as empresas contratadas pelo Estado para execução de obras deverão informar publicamente caso algum trabalho seja paralisado; ou interrompido por mais de 90 dias. Determina que sejam afixadas placas no local da obra pública, explicando os motivos da interrupção dados pelo órgão estadual, data da paralisação e previsão de retomada.

SELO DE INCLUSÃO

Relevante e oportuno, outro projeto do deputado Guerra propõe a concessão do Selo de Empresa Inclusiva às empresas que assumirem as diretrizes da Lei Federal de Inclusão a Pessoas com Deficiência e que favoreçam a integração e melhoria na qualidade de vidas do funcionários.

O Selo Empresa Inclusiva poderá ser utilizado pela empresa beneficiada para gerar publicidade positiva.

MUITOS PETARDOS

Na ampla entrevista que a coluna fez com o jovem e renovador Guerra – filho de Fernando Guerra e Carmen Guerra -, ele não poupou a ALEP de críticas aos muitos recursos mensais que dispõe aos deputados, afora vencimentos: R$ 100 mil mensais para contratar funcionários, R$ 33 mil a título de ressarcimento de despesas (com efeito cumulativo), afora o salário mensal, claro do parlamentar.

Essas e outras “boutades” de Guerra estarão na ampla entrevista que publicarei em breve.

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