Veículos e equipamentos alemães capturados em Fornovo pela FEB, com a rendição incondicional alemã | Crédito Museu da Imagem e do Som da Associação Nacional dos Veteranos da FEB

(Jornalismo de Guerra.WordPress.com/2020)

Enfrentando um inverno rigoroso em um terreno de difícil locomoção, os pracinhas brasileiros permaneceram oito meses combatendo as tropas nazifascistas nas Itália. O General João Batista Mascarenhas de Moraes, Comandante da Força Expedicionária Brasileira (FEB), deixou escrito três volumes de relatórios secretos sobre a participação brasileira na 2ª Guerra Mundial. Cada volume contém mais de 150 páginas e se tornaram públicos apenas em 2018.

Segundo Mascarenhas de Moraes, não houve um dia de repouso e folga – mesmo com a formação das tropas sendo preenchidas, “na maioria das vezes, por elementos insuficientemente instruídos”. Apesar de todas as dificuldades de treinamentos e de infraestrutura, os brasileiros conseguiram cumprir todas as missões que lhes foram dadas, como assinala Moraes.

Na reta final da guerra mais sangrenta do século 20, a atuação brasileira na chamada “Ofensiva da Primavera” foi considerada “magnífica pelos chefes militares americanos”. Em 12 dias, de acordo com o relatório do comandante da FEB, a tropa brasileira “percorreu cerca de quatrocentos quilômetros e liberou mais de sessenta vilas, povoados e cidades da península italiana”. Os Aliados haviam organizado em abril de 1945 um plano final da campanha da Itália, que foi a chamada “Ofensiva da Primavera”, destinada a levar com rapidez à derrota definitiva dos inimigos.

Foi estabelecido que caberia à FEB seguir na direção de Vignola, o que veio a acarretar os vitoriosos ataques a Montese e Zocca. A partir dessas vitórias iniciou-se a perseguição aos alemães que batiam em retirada. Seguiram-se o cerco a Colecchio, Fornovo di Taro, a rendição de divisões inimigas e a corrida para o vale do Pó. Prosseguindo em direção a Turim, os brasileiros ocuparam a cidade de Alessandria, em 30 de abril.

As tropas brasileiras cercaram e aprisionaram a 148ª Divisão de Infantaria Alemã e os remanescentes de divisões bélicas das forças fascistas italianas – capturando um total de 14.700 soldados. Durante toda a guerra foram aprisionados mais de 19 mil inimigos (sendo dois generais e 892 oficiais) e apreendidos mais de 2,5 mil veículos. Os pracinhas fechavam, assim, a participação na 2ª Guerra Mundial com grande atuação, somando-se às conquistas obtidas em Monte Castelo, por exemplo.

De 8 de maio – data da rendição da rendição da Alemanha e, portanto, do fim da guerra na Europa – até 3 de junho, a FEB foi empregada na ocupação militar do território conquistado. “Quando as operações na guerra foram dadas por encerradas em território italiano”, um batalhão formado por brasileiros ocupou a cidade de Turim e outros rumavam para a região próxima da fronteira com a França, na localidade de Susa.

“Manteríamos contato com a população vencida, libertada de um regime de opressão e que até dias antes tivera sua vida inteiramente controlada”, conta Mascarenhas. Segundo ele, o espírito brasileiro, a capacidade de adaptação e a simpatia aproximava o povo da tropa brasileira. Tudo ocorreu bem e os brasileiros começaram, aos poucos, a se preparar para retornar à pátria-mãe.

 

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.


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