A saga dos judeus que no começo do século 19 deixaram o Marrocos, no norte da África, para viver no norte do Brasil, já despertou a curiosidade de muita gente em várias partes do mundo. Recentemente tem se tornado cada vez mais conhecida também aqui no Brasil, graças a diversas reportagens e aos documentários que vem sendo produzidos sobre o tema, como é o caso do documentário que se chama Eretz Amazônia (Terra da Amazônia, em hebraico), produzido com apoio da TV Cultura do Pará, em 2005, e disponível no Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=ZlvxIl6Hp-o).

Esta história me é narrada pelo jornalista curitibano Szyja Ber Lorber, uma das melhores memórias do judaísmo brasileiro.

“OS HEBRAICOS”

Os judeus que emigraram do Marrocos para Belém do Pará se identificavam como “os hebraicos” e foram para lá nos áureos tempos da borracha, espalhando-se pela região amazônica que vai de Belém até Guajará-Mirim, na fronteira com a Bolívia. Também ficaram conhecidos como os “judeus caboclos”, mantendo vivas as tradições e leis judaicas. Dizem que chegaram a alguns milhares.

VIROU SANTO…

Entre as muitas histórias curiosas que se contam desses imigrantes marroquinos está a história de um rabino que virou uma espécie santo milagreiro popular católico.

Chamava-se Shalom Emanuel Muyal, que em 1908 que por iniciativa do Rabinato deixou o Norte da África, não se saber ao certo se para servir de rabino à comunidade sefardita que se fixou no Norte do Brasil, ou para arrecadar fundos para um seminário na Terra Santa entre os que foram para a Amazônia fazer fortuna com a extração da borracha. O rabino estabeleceu-se em Manaus.

Sepultura do rabino Muyal no Cemitério católico São João Batista, no centro de Manaus

Sepultura do rabino Muyal no Cemitério católico São João Batista, no centro de Manaus

O muro da sepultura construída pela comunidade judaica é o espaço usado para as placas sobre as graças alcançadas

O muro da sepultura construída pela comunidade judaica é o espaço usado para as placas sobre as graças alcançadas

UM POUCO MÉDICO

Com conhecimentos de medicina ajudava os que sofriam com dores e, estudioso dava conselhos a quem necessitava. Em 1910, Muyal morreu, vítima provavelmente de febre amarela. Seu corpo foi enterrado no Cemitério São João Batista, no centro de Manaus, porque não havia um cemitério judaico na capital do Amazonas naquela época. Não demorou muito, começaram a surgir placas de agradecimentos de graças alcançadas.

ESPAÇO DE MILAGRES

Nos anos 1940 do século passado, a comunidade judaica fez um muro em torno do túmulo do rabino para separá-lo do cemitério cristão. O muro acabou virando um espaço a mais para as placas e bilhetes de agradecimentos por milagres.

Em 1978, um ministro do governo de Israel, sobrinho de Muyal, soube da história e enviou uma carta solicitando o traslado dos restos mortais do rabino para Israel.

CONTRA TRASLADO

Quando a notícia se espalhou, a Câmara Municipal de Manaus manifestou ser contrária e populares, em sua maior parte católicos, se mobilizaram para que o traslado não acontecesse. Os líderes da própria comunidade judaica também se opuseram e o túmulo do rabino continua em Manaus, cercado de relatos e milagres atribuídos a ele.

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