Até agora o prefeito Rafael Waldomiro parece flanar na Prefeitura de Curitiba, sem encontrar obstáculos na Câmara Municipal para viabilizar suas propostas, algumas delas altamente polêmicas e de difícil aceitação por um eleitorado esclarecido e exigente.

Isso sem contar que há um silêncio obsequioso da Câmara diante de pelo menos 200 contratos ‘emergenciais’ que a municipalidade assinou com antigos fornecedores. Tudo sem licitação e sem se justificar em emergência real. Entram nesse rol dos beneficiados empresas tradicionais fornecedoras de refeições, o ICI, e empresa de locação de veículos para a municipalidade, além de construtoras. Todos eles velhos conhecidos e fregueses “de caderno” do Município, desde dezenas de anos atrás.

OITO RESISTENTES

Mestre Pop, Noêmia Rocha, Josette, Marcos Vieira, Professor Silberto: vereadores com olhar crítico pela cidade

Para agir assim com tanta desenvoltura, o alcaide conta com confortável maioria no legislativo municipal, 29 dos 38 vereadores da Casa. Os restantes formam uma linha oposicionista muito esclarecida e vigorosa, capitaneada pelo Professor Euler, segundo secretário da Câmara.

Euler pertence ao pequeno universo dos resistentes, cuja maior expressão, acredito, fora, até 2018, o hoje deputado estadual Jorge Goura (PDT).

GOURA VITORIOSO

Goura foi o único vereador de Curitiba a eleger-se deputado em 2018.

Alguém tem dúvidas de que ele ganhou porque fez política madura e pela cidade, na Câmara?

O líder do Governo Greca de Macedo, Petruzziello, rodou.

A sorte de Euler não foi maior, embora ele tenha feito 24 mil votos; não foi eleito por causa da balbúrdia do coeficiente eleitoral. No entanto, fez mais votos do que alguns deputados que estão na ALEP nesta legislatura. Lamenta que quase nada tenha investido em sua campanha, apenas R$ 9 mil.

NÃO DOBRAM A ESPINHA

Os oposicionistas são os vereadores que não dobraram a espinha diante da “tentação” em forma de cargos altamente remunerados na Prefeitura e outras facilidades.

Ao professor Euler, por exemplo, pediram também que indicasse empreiteiras para obras municipais “garantidas”. Para se ter ideia de quanto isso conta como ‘amaciante’ de eventuais oposições ao alcaide, basta dizer que apenas um dos vereadores detém 38 cargos na Prefeitura, destinados a seus prepostos. São cabos eleitorais, que podem escolher onde – e quando – trabalhar. Os salários podem chegar a R$ 18 mil.

CARGOS A MANCHEIAS

O próprio professor Euler não esconde, e o assunto foi veiculado na ocasião pela televisão: logo que empossado, chamado ao gabinete do alcaide, ele se viu diante de Giovanni Gionédis, a chamada primeira dama, 75, e o próprio Rafael Waldomiro Greca de Macedo. O grupo, em uníssono ofereceu-lhe todas as maravilhas de um mandato, com dinheiro em forma de cargos e livre acesso à Prefeitura. Tem testemunhas, garante.

“Melhor que isso só o Paraíso ou um cargo vitalício no Tribunal de Contas”, observa um antigo vereador que se diz “independente”.

A independência do cavalheiro é discutível, mas que cravou uma preciosa definição, isso é verdade…

O vereador Professor Euler (PSDB) disse não à proposta de ficar na situação com Greca, mediante benesses em forma de cargos, etc.

Contrafeita, a “aranha marrom” saiu da reunião, estabanadamente, e Waldomiro chegou ao desplante de garantir, depois, que Euler tentara vender-lhe um plano pedagógico elaborado por uma irmã sua.

É SEGUNDO SECRETÁRIO

Dono de invejável formação acadêmica em Mecatrônica, que cursou – depois de passar em primeiro lugar na USP -, complementada com o curso de Relações Internacionais, professor Euler é uma das cabeças coroadas do mundo dos cursinhos.

Não menciona, mas é dono de remuneração invejável no cursinho, e tem a admiração de toda uma juventude.

Leciona Física há anos no Positivo, preparando centenas e centenas de alunos para exames vestibulares. Os estudantes são sua grande base eleitoral.

Verdade é que se professor Euler tivesse investido um pouco mais do que os meros R$ 9 mil reais que empregou em sua campanha para a ALEP, estaria hoje no plano estadual. Ao lado de Goura, olhando com lupa a administração do alcaide Waldomiro.

FAZENDO O POSSÍVEL

Professor Euler não esconde suas devoções políticas. Uma das mais fortes, é Ney Leprevost, hoje secretário de Justiça, Família e Trabalho do Paraná, em cuja campanha muito se empenhou. Acha que Ney merece ser prefeito: “Leprevost é o candidato do governador Ratinho para a Prefeitura de Curitiba em 2020”, diz.

Diante de tantas dificuldades que encontra para o exercício do mandato – em face do “cerco” estabelecido pelo alcaide -, professor Euler comemora alguns feitos significativos, como, além de ser segundo secretário da Câmara, ter presidido a Comissão de Educação da casa, em 2017 e 2018. E também a Comissão de Participação Legislativa (pela primeira vez, um vereador ocupou duas comissões da Câmara ao mesmo tempo).

QUEM SÃO ELES?

Além do professor Euler (PSDB), são os seguintes os vereadores à Câmara Municipal de Curitiba que se consideram independentes ou oposição ao alcaide Rafael Waldomiro:

Josette (PT): Noêmia Rocha (MDB); professor Silberto (MDB); professor Matsuda (PDT), Mestre Pop (PSC), Maria Letícia (PV) (teria deixado a base do prefeito), Cacá Pereira (DC).

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