Tiara Leck Matte Machado é uma dessas raridades humanas e profissionais que o serviço público esconde. Ou não revela suficientemente. São homens e mulheres, de que ela é exemplo, dotados de enorme expressão humana e de conhecimentos, artesãos de um trabalho discreto, dispensando o rufar dos tambores que contemplam, por exemplo, os senhores do mundo político.

Para mim, e para os que a conhecem bem, Tiara é, o melhor paradigma de servidora pública exemplar. “É exemplaria”, como diriam os cultores do português castiço. Ela começou a atuar na Prefeitura de Curitiba, por concurso, em 1986.

Passou pelo IMAP, onde ajudou, por exemplo, a implantar o EAD para servidores municipais, e também no Projeto Semeador.

 

DNA psicológico

A mim me impressiona sobremaneira o DNA psicológico dessa educadora da rede municipal do ensino de Curitiba, psicóloga ( pela Universidade Tuiutí), pós graduada em Planejamento Estratégico pela FGV, cuja trajetória resume também uma oportuna vivência do conhecimento científico ao lado das marcas de uma fé religiosa adulta. Nessa linha, ela terá, por exemplo, sempre resposta sábia e pronta à indagação que lhe façam sobre como conciliar as realidades ciência e fé:

– São isso mesmo, duas verdades. Correm em esferas e vias diferentes, mas são partes essenciais da natureza humana, admitindo diversidades e pluralismos de largos espectros.

Dessa forma, Tiara não esconde conciliar imersões profundas na ciência, e também na “alma religiosa” do ser humano. Estuda, por exemplo, realidades como aquelas envolvendo o “homo religiosus” da Austrália, passos que desvendam um leque enorme de verdades sobre o sagrado.

Essa marca, o espírito psicologicamente bem montado de Tiara, deve explicar  a maior parte da enorme resiliência dessa mulher que, embora recém saída da radioterapia, defendeu uma tese “pesada” na UFPR, para obter, com louvor, o título de Mestre em Neuropsicologia. Isso depois de ter enfrentado, sobranceira, meses antes, outro quadro oncológico gravíssimo.

Neuropsicologia

O título de Mestre ela ganhou no começo deste outubro, quando apresentou à banca examinadora uma dissertação “pesada”, ou profunda, como queiram: “Avaliação Neuropsicológica da Atenção em Adolescentes com Diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista”.

A PhD Ana Paula Almeida Pereira, sua orientadora, e os membros da banca examinadora, entusiasmados com a dimensão da dissertação (ou tese, como se dizia anteriormente), sugeriram que Tiara vá adiante, que busque o Doutorado nessa área tão carente, especialmente porque centrada nos adolescentes.

Os depoimentos de familiares, como da irmã, Jucirê, dos sobrinhos Carolinne e Fábio, ou do cunhado, Ronaldo, apenas reforçam o conceito geral que identifica essa mulher a quem o pai, o “germânico” Ernesto Ludwig Matte, teuto-gaúcho, classificou com um cognome definitivo: “Tiara é a mulher que pisa firma…”

Claro que o pai (in memoriam) e a mãe, Terezinha Leck Matte, a conheceram melhor que ninguém. Talvez até suspeitassem que a menina de enormes qualidades colaborativas e de aplicação nos estudos, estaria escondendo uma poeta de muita qualidade.

A poeta que vive em Tiara expôs-se no trabalho de dissertação para o Mestrado, como se lê no poema Conexões:

“Com o outro, consigo mesmo.
Na interação com o outro,
No desprender-se de si mesmo,
Nos conectamos.
E então, somos!”

O mundo da família faz a alegria maior da nova Mestra, especialmente ao contemplar a filha, Clara Matte Machado, 19, aluna do segundo ano do Curso de Engenharia de Bioprocessos e Biotecnologia da UFPR.

Fiel ao adágio, Clara é o fruto que não caiu longe da árvore: bailarina clássica,  é devotada no auxílio ao próximo, lecionando como voluntária em cursinho para pessoal da baixa renda…

 

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.


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