O maracujá mais consumido pelos brasileiros é o amarelo, de sabor azedo e ácido. Mas se depender de pesquisas de melhoramento genético da USP, os maracujás-doces (Passiflora alata) em breve estarão ocupando maiores espaços nas bancas das feiras, nos sacolões e gôndolas de supermercados. Estudos que já vinham sendo realizados desde 2005 chegaram agora a resultados promissores.

Maria Lucia Carneiro Vieira

Os novos frutos geneticamente melhorados possuem quantidade maior de polpa, espessura da casca mais fina e ganho de produtividade na lavoura. Quem liderou a equipe de pesquisa foi a professora Maria Lucia Carneiro Vieira (*), do Departamento de Genética da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba.

 

Categoria de exóticos

Para os fruticultores brasileiros, os resultados da pesquisa representam maiores lucros, uma vez que os preços destes frutos, que estão na categoria de exóticos, chegam a alcançar três vezes mais que os preços do maracujá azedo. Um artigo sobre os últimos resultados saiu publicado na PLoS ONE Improving research resources and fruit quality in sweet passion fruit: genotype detection by interaction in the environment and selection of promising genotypes em maio. A tese Estudos genéticos em uma população segregante de maracujá-doce selecionada para qualidade de frutos, de Lourdes Chavarría Perez, orientanda de Maria Lucia, traz detalhes sobre o assunto.

Cidade Universitária da USP

Do tipo azedo

No Brasil, o cultivo de maracujá é quase que inteiramente o do tipo azedo, que cobre cerca de 90% de todos os pomares. Já o cultivo do maracujá-doce é limitado pela instabilidade da qualidade dos frutos de uma safra para a outra; e também pela falta de estudos genéticos que resultassem em variedades melhoradas e atendessem às necessidades dos consumidores em termos de qualidade e rendimento. Baseado nesses problemas, os pesquisadores da área de genética e melhoramento de plantas da Esalq se empenharam na solução.

(*) MARIA CARNEIRO VIEIRA: Mestre em Genética, Universidade Federal do Paraná (1980). Doutora em Genética e Melhoramento de Plantas, Universidade de São Paulo (1988). Iniciou sua carreira docente na UFPR. Em 1986, passou a integrar o quadro docente da USP. Pós-doutorados: Universidade de Nottingham (1989/1990) e Universidade de Paris (1992). É Professora Titular do Departamento de Genética, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, USP. Tem experiência na área de Genética Molecular de Plantas e Biotecnologia.

 

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.


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