Novo diretor geral da Binacional Itaipu deve focar suas primeiras ações na assinatura de um novo acordo com Paraguai, para eliminar benesses que Governo Lula deu ao país parceiro em 2009.

Talvez até por isso, o Paraguai cresce 6% ao ano e atrai grandes empresas brasileiras.

Fernando Xavier Ferreira, que foi diretor geral da Binacional, reconhece acerto em alterar acordo. Para ele, “A decisão de 2009 foi puramente política”.

General Joaquim Silva e Luna: diretor geral; Vice-almirante Anatalício Risden Junior: Diretor Financeiro e Executivo

General Joaquim Silva e Luna: diretor geral; Vice-almirante Anatalício Risden Junior: Diretor Financeiro e Executivo

Com a designação, quinta, 21 do novo diretor geral da Binacional Itaipu, general Joaquim Silva e Luna, ex-ministro da Defesa, e do vice-almirante Anatalício Risden Jr., curitibano, para a Diretoria Financeira e Executiva da empresa, já se pode garantir que, dentre os temas dominantes do início da nova gestão, estarão novos termos de novo acordo sobre a venda de energia entre Brasil e Paraguai.

PAGAMOS 50% A MAIS

E quando começarem a aprofundar o assunto, Silva e Luna e Risden Junior estarão, ao mesmo tempo, mexendo num assunto de enorme repercussão da vida dos brasileiros. Isto porque a energia comprada ao Paraguai acaba custando 50% mais cara do que os clientes paraguaios pagam por ela naquele país.

LULA NA BERLINDA

E mais se anote: o estabelecimento de novo acordo sobre a compra de energia colocará no “spotlight” o governo Lula. Pois foi na administração do PT, em 2009, que o Brasil fez a concessão danosa: como o Paraguai só consome 15% da energia a que tem direito da usina de Itaipu, o Brasil compra o restante. Pagando muito caro por ela. Foi um presentão entregue ao ex-presidente paraguaio, Fernando Lugo.

…E ELES CRESCEM MAIS…

Esse benefício gerado por Lula em 2009 pode mesmo ser o maior responsável pelo notável crescimento do PIB do Paraguai.

O país tem crescido na ordem de 6% ao ano, desde que Lula e Fernando Lugo assinaram o documento, “uma dádiva para o povo guarani”, diz analista de Itaipu, pedindo anonimato.

Fernando Xavier Ferreira: “A decisão de 2009 foi puramente política” (Foto: Hedeson Alves)

Fernando Xavier Ferreira: “A decisão de 2009 foi puramente política” (Foto: Hedeson Alves)

A coluna ouviu a respeito a opinião do engenheiro Fernando Xavier Ferreira, que foi diretor geral da Itaipu nos anos de 1989/90. Para ele, o Brasil está certo na proposta de novo acordo. Leia a declaração de Xavier Ferreira, um administrador público (e privados) de diferenciado perfil – presidiu a Telebrás, a Telepar, a Telefônica (hoje Vivo):

“FOI APENAS UMA DECISÃO POLÍTICA”

“(…) A energia produzida por Itaipu tem uma fórmula bem definida para estabelecer o mesmo valor a ser pago pelos dois países. Como o Paraguai não consome os seus 50%, o Brasil consome o excedente, pagando um adicional de preço diretamente ao governo paraguaio. Este adicional também tem seu valor estabelecido no Tratado.

Em 2009 o governo brasileiro, atendendo um pedido do governo paraguaio, concedeu um aumento deste valor, numa decisão política. Houve inclusive uma sessão numa comissão da Câmara de Deputados para discussão sobre o assunto, para qual fui convidado e participei.

Enfim não havia uma justificativa técnica, sendo apenas uma decisão política do governo. Entendo que a disposição do Governo atual de rediscutir a questão é pertinente.”

Itaipu: Barragem e turbinas

Itaipu: Barragem e turbinas

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