Padre Joaquim Parron: certeza de recuperações

Projeto de Lei que muda a política nacional de drogas foi aprovado na quarta-feira, 15, pelo Senado. Endurece a política nacional antidrogas, facilita internações involuntárias e fortalece as comunidades terapêuticas – instituições de tratamento normalmente ligadas a igrejas evangélicas e à Igreja Católica.

As comunidades foram incluídas no Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (Sisnad) e agora podem receber dinheiro de isenção fiscal – pessoas e empresas podem destinar até 30% do Imposto de Renda para as instituições.

O PL agora segue para sanção do presidente Jair Bolsonaro.

A coluna ouviu a opinião de uma autoridade em comunidades terapêuticas, padre Joaquim Parron, Doutor em Ética Social e mestre em Educação pela George Washington, ex-superior geral dos missionários Redentoristas do Brasil, professor do Studium Theologicum de Curitiba.

Ele responde à pergunta sobre a eficácia do trabalho das comunidades terapêuticas:

– As nossas comunidades terapêuticas têm tido um nível alto de recuperação e de perseverança depois do tratamento. Claro que motivamos as pessoas continuarem participando de grupos de apoio (como AA, NA ou outros grupos) para ajudar na manutenção da sobriedade. Essa recuperação vai se dando na pessoa que retomou o sentido da vida e ela vai abrindo novos horizontes em seu viver.

EM QUATRO BARRAS, TELÊMACO…

Diz ainda o sacerdote e educador:

– As Comunidades Terapêuticas, religiosas, têm tido uma experiência muito positiva na recuperação de pessoas com a dependência química e devolvido às sociedades centenas de pessoas sóbrias. Essas pessoas voltam para o convívio familiar e regressam ao mundo do trabalho com uma nova perspectiva de vida e relacionamentos saudáveis.

PRIMEIRO, ALCOÓLICOS

E mais:

– Nós, Missionários Redentoristas, da Igreja Católica, temos trabalhado há algumas décadas através da inspiração do Padre Guilherme Tracy, CSsR na recuperação de alcoólicos e nos últimos oito anos com a recuperação de pessoas dependentes de diversos tipos de dependências químicas. Abrimos comunidades em Quatro Barras, em Londrina, Telêmaco Borba e também em Campo Grande, MS.

SEM MEDICAMENTOS

Explica ainda Parron que o trabalho dos redentoristas não utiliza de medicamentos. Propõe tratamento alternativo embasado nos três pilares: terapia ocupacional, disciplina e oração. Desses três pilares têm emanado uma mística que ajuda a pessoa a ter consciência da sua dependência e fragilidade diante da droga e dá força para a pessoa se manter na sobriedade.

NOVA DISCIPLINA

O educador tem uma visão fortemente ligada ao poder da fé religiosa como agente capaz de libertar homens e mulheres da droga adição:

– Essa mística que vem como uma força, aceitando a força superior, isto é, de Deus, ofertando nova disciplina de vida a pessoa, com a qual o paciente pode viver o resto da vida sóbrio e não mais dependente de substâncias químicas.

Recorrendo a linguagem do psiquiatra austríaco, Victor Frankl, Parron assegura que a ação das comunidades terapêuticas pode garantir o sentido da vida e dar, ao drogado, significado ao seu viver. “A vida é valorizada e a pessoa busca viver a sua dignidade na família e na sociedade”.

ALTA RECUPERAÇÃO

Completou o sacerdote e educador:

“As nossas comunidades terapêuticas têm tido um nível alto de recuperação e de perseverança depois do tratamento. Claro que motivamos as pessoas continuarem participando de grupos de apoio (como AA, NA ou outros grupos) para ajudar na manutenção da sobriedade. Essa recuperação vai se dando na pessoa que retomou o sentido da vida e ela vai abrindo novos horizontes em seu viver.

Estamos já há anos refletindo com os governantes meios para valorizar o trabalho alternativo da Comunidade Terapêuticos e agora acolhemos a decisão do governo que aceita esse tratamento como um dos meios para recuperação de pessoas dependentes desse mal”.

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