Se o presidente da FIEP, Edson Campagnolo, mantém-se em silêncio obsequioso, sequer respondendo a indagações de jornalistas sobre o pleito sucessório que ocorrerá dia 14 deste mês, na Federação, quando se defrontarão duas chapas (uma da situação, com Carlos Walter; outra, oposição, com Eugênio Gizzi), no grande colégio eleitoral dos industriais as coisas fervilham em torno da eleição. São pouco mais de 300 sindicatos que irão às urnas.

 

DECISÃO JUDICIAL

De um antigo amigo, líder industrial, que me pede anonimato, ouço a seguinte expressão, que me soa como “magister dixit”:

– Campagnolo não contava com a dura medida judicial acatada pela justiça, que determinou que ele não poderia presidir o pleito e, ao mesmo tempo, liderar a campanha por uma das candidaturas. Na verdade, a FIEP começou a brincar com o fogo, a partir do momento em que a chapa de Eugênio Gizzi contratou os serviços de Luiz Fernando Casagrande Pereira, hoje um nome nacionalmente expressivo. Especialmente em questões que envolvem eleições…

PEREIRA É O HOMEM

Concordo com a fonte com relação à importância de Pereira, um profissional sabidamente de formação “á gauche”, mas que não vê cores ideológicas em seus clientes. Advogou, por exemplo, na eleição, para o atual prefeito Marchezan, de Porto Alegre.

Pereira começou seu trabalho de agora conseguindo alijar Campagnolo da dupla função – presidir o processo eleitoral e fazer campanha para Carlos Walter, industrial de Maringá, sabidamente há anos tido como seu o preferido do “inner” grupo da Federação.

NA CNI

E bateu em cima da discutível indicação do atual presidente da FIEP como representante da entidade junto à Confederação Nacional da Indústria.

Se dependesse do “In pectore” de Campagnolo, Carlos Walter já estaria escolhido para reger a poderosa federação.

A EXPLOSÃO

Acontece que no meio do caminho, explodiu, num átimo, o sentimento de que Curitiba, centro político do Estado e a maior economia entre as cidades do Paraná, vem perdendo muito espaço para o interior, no âmbito da representação empresarial.

– Houve como que um estalo de Vieira: forças empresariais que antes, silenciosamente, deram espaço a lideranças brotadas no interior (caso de Maringá, mais especialmente), resolveram arregaçar as mangas. A ordem é mudar esse status, opina também um dirigente classista do Comércio paranaense, cidadão do maior acatamento no meio empresarial.

GIZZI, RESPOSTA

Traduzindo: a indicação de Eugênio Gizzi, 64, engenheiro civil, presidente do poderoso Sindicato da Construção Civil de Curitiba, surgiu “como resposta à perda de representatividade da Capital”, como alega a mesma fonte do Comércio. E ela cita casos concretos: a poderosa Federação das Agricultura do Paraná é “capitania consolidada e estratificada há dezenas de anos nas mãos de Ágide Meneguetti, assim como a FACIAP, com Marcos Tadeu Barbosa, sem contar a liderança que representa no Estado o grupo liderado por Ricardo Barros a partir da chamada Cidade Canção…

GRUPO DE BARROS

Entre os apoiadores de Carlos Walter estaria, como parte do grupo de Ricardo Barros, o alcaide de Curitiba, Rafael Valdomiro Greca de Macedo.

De qualquer forma, eu não apostaria todas as fichas de que o grupo que pretende destronar a liderança interiorana na representação empresarial ficará batendo apenas nessa tecla. Acho que, daqui para frente, calorosa campanha vai entrar no ar, até com “fake news” atingindo os dois lados – Gizzi e Carlos Walter.

Quem viver, verá.

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