Comandada por Giem Guimarães, organização já conseguiu salvar escarpa Devoniana e faz alerta sobre avanços que comprometem meio ambiente.

Pontal do Paraná (Foto: Jaelson Lucas/ANPr)

O Observatório de Justiça e Conservação (OJC) tem atuado de maneira intensa a favor da biodiversidade no Paraná. É uma iniciativa apartidária e colaborativa que trabalha fiscalizando ações e inações do poder público no que se refere à prática da corrupção e de incoerências legais em assuntos relativos à conservação do meio ambiente.

O diretor-presidente da Organização Não Governamental (ONG) é Giem Guimarães, filho mais velho do senador Oriovisto Guimarães.

PÚBLICAS E PRIVADAS

O Observatório é resultado da união de entidades públicas, privadas, organizações não governamentais, universidades, pesquisadores e profissionais liberais que apoiam ou trabalham pela manutenção e incentivo à conservação da natureza e condenam esforços que visem a fragilização dos direitos da maioria da sociedade em favor da busca por vantagens individuais.

SALVAR A ILHA

Em quase três anos de atuação, o Observatório de Justiça e Conservação (OJC) já conduziu campanhas de mobilização popular expressivas, como os movimentos “#ParePresteAtenção!“, em defesa da Área de Proteção Ambiental (APA) da Escarpa Devoniana e “#SalveaIlhaDoMel!”, em prol da proteção do local, reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

ESCARPA DEVONIANA

A primeira esteve ameaçada por um projeto de lei que tramitou na Assembleia Legislativa do Paraná e pretendia mutilar 70% de seu território. A APA é a maior unidade de conservação de uso sustentável do Sul do Brasil e ainda conserva importantes remanescentes de Floresta com Araucária e Campos Naturais. A ampla mobilização que a campanha conquistou em torno do tema fez com que o projeto de lei fosse arquivado. Enfim, prevaleceu o bom senso.

PONTAL AMEAÇADOR

Já a segunda campanha busca esclarecer a opinião pública sobre os prejuízos ambientais e sociais que a possibilidade de instalação e um agressivo complexo industrial portuário em Pontal do Paraná, no litoral do Estado, pode gerar.

Mata Atlântica em perigo no Pontal do Paraná (Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo)

PORTO PRIVADO

A obra inclui um porto privado que pode ser feito em frente à Ilha e uma estrada para atendê-lo. Toda a infraestrutura que tornaria possível a construção e operação do porto seria custeada por dinheiro público, como aponta a ONG. Mais de R$ 369 milhões é o que custaria somente a primeira fase das obras.

MATA ATLÂNTICA: PERIGO

Na visão da entidade, esse aporte financeiro poderia ser dedicado a investimentos em saúde, educação, segurança e estímulo honesto em turismo na região, mas que pode ser direcionado para atender interessados diretos em lucrar com a obra. Estudos apontam que para ser feita, só a estrada que atenderia ao porto derrubaria mais de cinco milhões de metros quadrados de Mata Atlântica bem preservada.

E isso na região que ainda concentra os últimos remanescentes do bioma no Brasil e no mundo. Em todo o país, restaram menos de 7% de Mata Atlântica.

 

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LIVRAÍ-NOS DOS MALES

Giem Guimarães: olhar de preservacionista

Neste final de semana, conversando com o jornalista e escritor Diego Antonelli, descobri – literalmente – a existência de uma organização não governamental que trabalha com os pés no chão. Trata-se do Observatório Justiça e Conservação (OJC), comandada por Giem Guimarães, empresário cuja vida sabidamente resolvida do ponto de vista material, não precisaria de uma ONG para impor-se na comunidade.

Giem, filho do senador Oriovisto Guimarães – businessman consolidado na livre iniciativa -, tem forte poder de convencimento. E enorme capacidade de mobilização da opinião pública, tal como mostrou quando com a ONG conseguiu evitar que o Paraná desrespeitasse a APA da Escarpa Devoniana, então uma ameaça concreta que tramitava em projeto na Assembleia Legislativa.

Giem é daqueles que colocam em termos práticos suas crenças em defesa do meio ambiente. Age com pragmatismo, como quando, por exemplo, alerta para o perigo que ronda a Mata Atlântica, caso seja implantada rodovia para garantir o complexo industrial planejado para Ponta do Sul.

Seriam pelo menos cinco milhões de metros quadrados derrubados do precioso bioma, hoje reduzido a apenas 7%.

O dirigente da OJC, homem da livre iniciativa, com a qual é comprometido, no entanto mais comprometido se mostra com o amanhã de todos nós. Por isso, no momento concentra energia para alertar sobre os perigos de uma “busca por progresso, a qualquer preço em Pontal.”

Trata-se de batalha de que a todos nós interessa participar, se somos capazes de sonhar com o futuro.

(AMGH)

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