Jubal Sergio Dohms, 66, designer gráfico, tradutor, especialista em budismo, poeta e escritor, está doente. Tem sofrido cirurgias, mesmo assim, cuida, com a esposa, de outros dois familiares doentes, situações que explicou ao agente do IBGE que o visitou. Horas depois recebeu telefonema de outro agente, Giovanni Bonaldo, “intimando-o” a responder em poucas horas, a um enorme questionário PNADC (Amostra Nacional de Domicílio Contínuo).

Jubal Sergio Dohms: pesquisa na marra?

 

Não surtiram efeito os argumentos de Dohms, explicando que não poderia atender ao IBGE, agora. Foi o que bastou para o agente do Instituto, Giovanni Bonaldo, proferir uma série de palavras intimidatórias, citando leis, ameaçando o idoso doente de penalidades.

Parecia Zeus, o pai dos deuses, largando fogo dos céus contra opositores.

SEM DEIXAR PISTAS

Bonaldo deu-lhe um prazo – já vencido -, a partir do qual, raios e trovões deveriam punir o intelectual a ser pesquisado. E mais: e.mail enviado por Bonaldo pede que o documento seja apagado. Isto tudo sem embargo de o cavalheiro que se intitula advogado do IBGE, concordar que as determinações do Instituto são absolutamente autoritárias. “É mesmo, são dos tempos da ditadura”, disse.

O superior do agente no IBGE não deve ter conhecimento do fato. Até por isso, a coluna publica carta enviada por Jubal Dohms, na esperança que abordagens arbitrárias não continuem, a propósito de fazer pesquisa do PNDAC. E na esperança de que essa exposição de “tranca ruas” evitem outras situações semelhantes e/ou trabalham contra a imagem o IBGE.

TUDO BEM EXPLICADO

A carta de Jubal:

“Caro professor,

ao ser intimado pelo sr. Giovanni Lucas Bonaldo, (41) 3595-4467, técnico em informações geográficas e estatísticas (IBGE/PR: Agência Curitiba/Centro – Al. Dr. Carlos de Carvalho, 75 – 4º Andar), que se diz advogado do IBGE, questionei suas afirmações e disse que faria contato com um advogado, uma vez que no momento não será possível participar da pesquisa em questão, diante das situações que hoje nos impedem.

COISA DA DITADURA

Estou diante de uma nova cirurgia, estamos com familiares idosos doentes, um acamado e outra com enormes dificuldades, e que têm apenas a mim e a minha esposa para atendê-los. E também estou perplexo diante de tamanha arbitrariedade.

Ouvi do próprio Giovanni que “a lei é mesmo truculenta por ser da época da ditadura” (sic). Ora, se a “pesquisa do IBGE é um espelho da realidade brasileira”, como afirma seu folder, triste é essa realidade que nos apresentam.

“NÃO HÁ DIREITOS”

Estranho o uso de palavras e orações de ordem como: “obrigatoriedade”; “coercitivamente”; “não há direitos fundamentais absolutos “; “nenhum direito fundamental é absoluto”; “neste caso concreto uma relação jurídica caracterizada pela verticalidade, por se tratar de uma relação entre a Administração Pública e um particular, em que a Administração se impõe coercitivamente perante os administrados, criando obrigações de forma unilateral ou restringindo o exercício de atividades privadas. O infrator ficará sujeito à multa de até dez (10) vezes o maior salário-mínimo vigente no País, quando primário; e de até vinte (20) vezes o aludido salário quando reincidente.

INTERDIÇÃO ABSURDA

Em anexo, os materiais em pdf que foram enviados por ele.

Grande abraço, Jubal Sergio Dohms

Curitiba, 2 de agosto de 2019

Ainda: no rodapé do e-mail recebido consta este “precioso” texto:

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