Pedro de Paula Filho: sucesso empresarial e na exemplar filantropia (Foto: Annelize Tozzetto)

Pedro de Paula Filho: sucesso empresarial e na exemplar filantropia (Foto: Annelize Tozzetto)

Se não é um notável exemplo de vitória da livre iniciativa, então não sei mais nada de empreendedorismo: com 8 anos, em Mandaguari, Norte do Paraná, o pequeno Pedro de Paula Filho batia nas portas de casas com grandes terrenos vazios e carentes de limpeza. Oferecia-se para limpá-los, gratuitamente, querendo em troca, apenas o direito de recolher a sucata que encontrasse – cobre, vidros, papel, papelão, alumínio, ferro…

Não houve negativas à proposta, lembra-se. E assim o menino inaugurou um bem-sucedido negócio de sucatas, com comprador certo.

“CASE” ESPECIAL

Hoje, o “case” de excepcional empreendedorismo cairia certamente no olho do Ministério Público, que iria classificar o exemplo do garoto – e dos que o apoiavam -, em “exploração do trabalho infantil”. E tudo sujeito às penas da lei que não consegue, no entanto, dar um basta à infância maltratada, violentada, faminta, perambulando nas ruas, matéria prima ideal para o crime organizado. Crime investe na infância pobre, preferencialmente.

Pois foi assim mesmo que Pedro de Paula Filho, 62, ao ganhar os primeiros trocados para tocar sua vida escolar prosseguiu até os 12 anos. Com esse trabalho dava uma folga à mãe, professora, viúva, com mais filhos a sustentar.

EMPRESAS SÓLIDAS

Hoje enxergo o mesmo Pedro de Paula Filho, cidadão afável, cabeça organizada, um aglutinador de parceiros em suas jornadas empresariais e filantrópicas, como as empresas que criou e dirige – Quasar Empreendimentos Comerciais, e a Santa Cruz de Securitização.

A Quasar movimenta cerca de R$ 170 milhões/ano. “São de médio porte no setor em que atuam”, explica.

Mas não é de médio porte a importantíssima Associação dos Amigos do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

“MILHÕES” DE SÓCIOS

“Ela tem poucos e, ao mesmo tempo, milhões de associados”, assinala Pedro de Paula Filho, para explicar que as ações da entidade aglutinam boa parte da sociedade curitibana.

Resultado esforço pessoal de lideranças comunitárias, voluntários e funcionários, a Associação do Amigos do Hospital de Clínicas da UFPR pode apresentar uma planilha de resultados de poucos similares entre instituições beneméritas. No ano de 2018, por exemplo, investiu cerca de R$ 8,5 milhões em obras e medicamentos no Hospital de Clínicas.

SERVIÇOS E OBRAS

Maria Elisa Paciornik: ‘um aglutinador’

Maria Elisa Paciornik: ‘um aglutinador’

Nunca repassa dinheiro, apenas serviços, obras e equipamentos. Tal como fez no final e 2018 quando entregou ao HC o enorme complexo – modernamente equipado com todos os avanços da tecnologia – do Centro Administrativo do HC. Tudo com o apoio da comunidade e, especialmente, da Mega Mania, que atua na venda de títulos de capitalização e que, por lei, destina percentual de seus lucros à filantropia. No caso, Associação de Amigos do HC da UFPR.

Pedro de Paula Filho está há 32 anos na Associação, fundada por Hoda Salamuni. De início, concentrou – com Lorete Tacla, por exemplo – seu trabalho na Maternidade do HC. Depois, foi assumindo papel de liderança na Associação já presidida por Fernando Antonio Miranda, Euclides Scalco, Ney Leprevost, Maria Elisa Ferraz Paciornik, que continuam ativos na AAHC.

CENTRO OBSTÉTRICO

Para 2019, as principais demandas são um centro obstétrico, reunir o que é feito na Maternidade Vitor Ferreira do Amaral com o HC. Ação do hospital que a gente apoia. Temos também a hemodiálise. Algumas reformas em determinadas áreas. “Ainda estamos estudando”, explica Pedro de Paula Filho.

A carreira desse moderno empreendedor começa em Curitiba, aos 17 anos, quando ele chega à Capital e passa a trabalhar com Alberto Rached, megaempresário, com muitos interesses em “business”. O caminho para fazer sua carreira de empresário deu-se na Drogamed, onde começou como empregado e depois foi sócio da grande rede de farmácias.

Numas das entrevistas que tive com Pedro de Paula, para o volume 11 de meu livro Vozes do Paraná, Retratos de Paranaenses, do qual ele será um dos personagens, o empresário quis mesmo é centrar sua fala na Associação, sobre a qual disse, entre outras coisas:

QUEBRAR PEDRAS DE RINS

– A Associação em 2018, em equipamentos, transferiu algo como R$ 8,5 milhões. Isso com recurso na mão, nunca autorizamos compras a prazo ou repassamos em dinheiro, senão cai no orçamento do hospital e perde a vinculação. E também auxiliamos em emergências, como medicamentos e anestésicos, mas não é nosso foco de atuação.

MELHOR SERVIÇO

O papel da Associação é melhorar toda a condição do hospital, na parte tecnológica e de equipamentos. Um caso foi o litotriptor, equipamento para destruir cálculo renal. Em 2017, o equipamento do HC estava com 15 anos. Imagina um celular de 15 anos atrás? Não dá. Nem manutenção adiantava. Ele funcionava um dia, dois não. Meia hora sim, quatro horas não. Então compramos esse equipamento a R$ 1,1 milhão. O fato de eliminar a fila de atendimento, não há dinheiro que pague. Nosso foco é sempre esse.

Maria Elisa Ferraz Paciornik e Euclides Scalco são dois dos ex-presidentes da Associação que se manifestaram entusiasticamente sobre a ação do presidente Pedro de Paula. Para eles, uma palavra o define: um aglutinador com grande capacidade de juntar pessoas em torno de alvos como o HC.

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