Euclides Coelho de Souza e Adair Chevonika

A música é de Luiz Gonzaga que a colocou naquele maravilhoso disco “O Som Brasileiro do Bamerindus” – produzido pela Tereza de Souza, Walter Santos com o apoio do homem de marketing Sergio Reis.

Mamulengo é um tipo de boneco – mão molenga -, flexível, muito apreciado em Pernambuco, especialmente em Olinda, onde existe um museu só dedicado ao assunto – 1.500 peças. Dizem ter sido invenção dos padres para ensinar catecismo aos indígenas e escravos.

Curitiba também tem a sua história de bonecos, títeres, fantoches, marionetes e dedoches. Na década de 70, a Apepar, empresa de poupança do grupo Bamerindus, patrocinava o Teatro de Bonecos Dadá (*) – de Euclides Coelho de Souza, Adair Chevonila e Miriam Galarda. O grupo, apesar do apoio de uma empresa capitalista, um banco, usava suas histórias, mais de 100 montagens, para propagar a ideologia comunista e o descontentamento com o regime militar. Recentemente o assunto mereceu um livro editado pela jornalista Dinah Ribas Pinheiro com o título: Teatro de Bonecos Dadá – Memória e Resistência.

SÃO 30 GRUPOS

Hoje, Curitiba abriga mais de 30 grupos de teatro de bonecos, inclusive um que trabalha com teatro de sombras – técnica turca de apresentações -, a Companhia Karagozwk, muito ligada às apresentações para fins didáticos. Contar a história dos meninos Einstein e Santos Dumont foram algumas das peças encenadas. Outro grupo é a Cia Imaginarium que acabou de encenar João e Maria no Teatro Dr. Botica – a peça teve a participação de Luam Garcia, Glória Takagui e Caroline Gnoato.

FESTIVAL INTERNACIONAL PARADO POR FALTA DE APOIO

Há tempos não acontece, por falta de apoiadores, um dos mais importantes festivais de teatro de bonecos do mundo – o Festival Espetacular de Teatros de Bonecos de Curitiba que chegou a alcançar 20 edições. A justificativa é que o apoio é na forma de editais pela Lei Rouanet e não se consegue a captação necessária.

Outro grupo que deixou saudades e herdeiros foi o do Manoel Kobachuck.

Um dos continuadores da sua arte é o ator Gil Gabriel, que em 2002 montou sua própria trupe – a Almazem. Gabriel já se apresentou por duas vezes em festivais europeus: Portugal, Espanha e França e este ano está indo para mais um. Gil também foi um dos pioneiros nas apresentações no Teatro de Bonecos do Dr. Botica no Shopping Estação.

NASCE O TEATRO DR. BOTICA

Miguel Krisgner, presidente do Boticário, sempre foi um entusiasta do teatro de bonecos, tanto que, quando suas filhas eram pequenas, ele montava um palco no corredor do seu apartamento e produzia suas próprias histórias para apresentá-las às filhas, sobrinhas e amigas. Seu entusiasmo está retratado em um personagem criado há 36 anos pelas designers Têre Zagonel e Marina Zagonel Pereira, o Dr. Botica que chegou a ser um dos símbolos da empresa durante um bom tempo.

NASCE O DR. BOTICA

A ideia inicial do Miguel era patrocinar a construção de um teatro nas ruínas de uma olaria que existe no Parque Barigui, mas como as tratativas com a Prefeitura da época em ceder o lugar não foram adiante, resolveu construir seu próprio espaço e cedê-lo à administração de bonequeiros profissionais. Construiu o Teatro Dr. Botica – completo com todos os equipamentos modernos necessários para apresentações profissionais.

Um belo presente para a cidade, as crianças e a classe teatral. Ação que tem incentivado o profissionalismo da área e a formação de público para este tipo de espetáculo. Em 2017 Miguel inaugurou mais um Teatro Dr. Botica, desta vez em São Paulo, no Shopping Metro Tatuapé.

(com colaboração de Eloi Zanetti)

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LIVRO “TEATRO DE BONECOS DADÁ”

A história do teatro de bonecos Dadá, um dos mais conhecidos do Brasil, é o tema do novo livro da jornalista Dinah Ribas Pinheiro.

O Teatro de Bonecos Dadá atuou durante 50 anos ininterruptos (de 1964 a 2014), realizando mais de 100 montagens. Fundado, na década de 1960 por Euclides Coelho de Souza, Adair Chevonika e Mirian Galarda, foi um dos precursores do gênero em Curitiba. Caracterizado por forte luta política, o grupo foi exilado no Peru e no Chile, nos anos 1970, por conta do regime militar, ao qual se opunha. (site das Livras Curitiba).

Dinah é um tipo humano especial: dedicou sua vida ao jornalismo cultural, tendo composto, por anos, com Adélia Lopes, Rosirene Gemael e Marilu Silveira o quarteto das incansáveis difusoras da vida inteligente de Curitiba. Era tempos de reinado forte da mídia impressa, com jornais que acolheram o trabalho dessas mulheres singulares.

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