Não há dúvidas: a Construtora Triunfo foi a vencedora da licitação para a construção de novas pistas do viaduto tarumã, em Curitiba, obra da prefeitura de Curitiba com recursos do PAC, via Caixa Econômica.

Viaduto do Tarumã

Foi vencedora embora até agora a prefeitura não tenha anunciado o resultado da licitação no valor de R$ 43 milhões, e por um único motivo: foi a única concorrente.

Curiosamente, sem muito alarde, a Triunfo entrara com pedido de recuperação judicial de sua dívida de R$ 2,5 bilhões, poucos dias antes do esperado dia da abertura da licitação.

O pedido foi formalizado na justiça em 24 de junho último, uma segunda feira.

O pedido, feito pela holding, inclui duas outras empresas, além da Triunfo, a Inepar e a Tiisa, partes do conglomerado.

A notícia a seguir amplia a visão do problema. A matéria é da revista Exame:

NEGÓCIOS: CONSTRUTORA TRIUNFO ENTRA COM PEDIDO DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL

Empresa destaca que o PIB da construção encolheu 28% no Brasil entre 2014 e 2018, num quadro de “instabilidade política” e “efeitos da operação Lava-Jato”

Por Lucas Amorim, Natália Flach (Revista Exame, 11 de julho de 2019)

A holding de construções Triunfo entrou com pedido de recuperação judicial na segunda-feira, 24 (junho). O pedido inclui a construtora Triunfo e outras duas companhias do conglomerado, a Inepar e a TIISA. No documento enviado à Justiça, a companhia citou o alto endividamento e a crise econômica como fatores preponderantes para a decisão. A Triunfo Participações e Investimentos, listada em bolsa e dona de ativos como o aeroporto de Viracopos, não faz parte do pedido protocolado — embora tenham alguns sócios em comuns, são dois negócios separados.

A dívida atual da holding de construções é de 480 milhões de reais, segundo João Villar Garcia, controlador da TPI. “Mas temos ativos que chegam a 500 milhões de reais. Estamos processando o governo”, afirma.

“Entramos com o pedido por causa da retração do mercado de construção civil e da restrição de crédito por parte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social”, acrescenta.

RECUPERAÇÃO

A Triunfo contratou a consultoria Alvarez & Marsal como advisor para auxiliar no plano de recuperação judicial, que ainda não foi homologada pela Justiça, segundo Villar Garcia. Depois do aval, a holding tem 60 dias para apresentar o plano. “É um plano bastante viável”, acrescenta.

A holding de construções Triunfo foi criada em 2006, e passou a controlar a tradicional construtora paranaense Triunfo, criada em 1978 e uma das maiores empreiteiras e concessionárias do país. A Inepar, criada em 2010, fabrica painéis e estruturas feitas com fibras de vidro e resinas. A terceira empresa do grupo é a TIISA, criada em 2009, focada em obras de ferrovias e saneamento.

O ESTOPIM

O estopim para o pedido de recuperação judicial foram dois pedidos de falência protocolados contra a TIISA no dia 12 de junho. Segundo a companhia, as empresas do grupo têm uma carteira de obras contratadas de 6 bilhões de reais.

Em seu pedido de recuperação judicial, a companhia destaca que o PIB da construção encolheu 28% no Brasil entre 2014 e 2018, num quadro agravado pela “instabilidade política” e pelos “efeitos da operação Lava-Jato”. O pedido, protocolado pelo escritório Galdino & Coelho, afirma ainda que, “embora possuam um bom volume de contratos”, estes “se encontram hoje com um faturamento inexpressivo pela incapacidade momentânea de investimento dos contratantes”.

HOJE, SÓ 600 FUNCIONÁRIOS

Neste contexto, o faturamento da construtora Triunfo caiu de 996 milhões de reais em 2014 para 300 milhões em 2018. O lucro caiu de 84 milhões para 1 milhão de reais no mesmo período. O número de funcionários caiu de 4.200 para 600 nos últimos quatro anos.

Como relembra a Triunfo, é um aperto pelo qual passaram outras grandes construtoras do país. O faturamento de seis das maiores empreiteiras do país — Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, Mendes Júnior e Constran — caiu de 77 bilhões de reais em 2015 para 22 bilhões de reais em 2018. Juntas, elas demitiram 200 mil dos 500 mil funcionários.

DÍVIDAS DE R$ 2,5 BI

A Triunfo Participações e Investimentos, listada em bolsa, havia entrado com pedido de recuperação extra-judicial no ano passado, com dívidas de 2,5 bilhões de reais. Também no ano passado, a Triunfo Participações e Investimentos entrou com pedido de recuperação de um de seus principais ativos, o aeroporto de Viracopos, em Campinas, que acumulava dívidas de 2,9 bilhões de reais. A assembleia de credores de Viracopos está marcada.

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