Estudos feitos por duas advogadas de Curitiba, conforme relatado pelo site Plural -, indicaram que na Capital morreram no período de um ano – abril de 2019 a abril deste 2020 – 30% a mais de pessoas neste ano.
Isso poderia ser indicador de subnotificações de óbitos durante a ocorrência do covid-19, ocultação que, eventualmente, poderia interessar às autoridades municipais?
A resposta fica no ar, especialmente, apesar da realidade revelada pelas pesquisadoras quando indicam que perto de 200 sepultamentos foram feitos em Curitiba no período sem velórios.
Pode ser. Como pode não ser subnotificação.
Verdade que a ausência de cerimônias fúnebres é recomendação das autoridades em pandemias e vem sendo cumprida à risca no país quando o defunto morreu da corona.
Mas há que ter cautela nesse terreno, mais do que outros, no momento, até para evitar sobressaltos.
A observação vai mais adiante, firma-se em algumas realidades: até dias atrás, o confinamento horizontal (toda a comunidade, exceto áreas de serviços essenciais) vinha sendo mantido em Curitiba. Os números de óbitos estavam baixos. Com a liberação que o prefeito concedeu a diversas áreas do comércio, e a pregação do presidente da República a favor da simples abertura das atividades econômicas, já estariam ocorrendo óbitos do covid- 19 em índices bem maiores do que o esperado.
É só conferir os números.
Essa realidade, desrespeito ao isolamento, encontra paralelo em São Paulo, onde – apesar da oposição do governador e do prefeito Covas -, as ruas e parques voltaram a ficar cheios no final de semana e nos dias úteis.
E os cemitérios, tomados por sepultamentos entrando noite adentro.
Coincidência?
Esses são dados nada desprezíveis: confinamento (ou quarentena) é a receita repetida à exaustão pelo mundo todo. Basta acompanhar o noticiário detalhado de bons jornais (não certos informes homeopáticos e/ou escandalosos de outros veículos).
A revista Istoé, por exemplo, confirma quão trágicas podem ser as desobediências à quarentena, publicando (leia abaixo) que os infectados pelo coronavírus deram um salto de 25% do dia de sábado para domingo, 26, em Blumenau.

 

Posição bem definida

De qualquer forma, há que se observar uma realidade; o covid-19 não chegou ainda a plena carga na Região Sul, o que deve acontecer a partir de junho, final e maio. Esta é posição do Ministério da Saúde, e de ampla análise do primeiro relatório do Observatório COVID19 – Grupo: Redes de Contágio – Laboratório de Estudos de Defesa para a região Sul do Brasil.

O trabalho combina dados de casos confirmados do novo coronavírus (SARS-CoV-2) para o Sul, disponíveis até o dia 17/04/2020, com análises estruturais da rede de rotas rodoviárias intra e interestaduais. Com isso estima a vulnerabilidade e potencial influência das microrregiões sulinas na propagação da doença.

 

Sugestões aos governos

No seu trecho inicial, o relatório diz:

“Sugere-se aos governos dos três estados sulinos que atuem de forma conjunta para diminuir o fluxo de pessoas entre as microrregiões importantes para disseminação da pandemia entre as grandes áreas da região Sul: Erechim (RS), Ponta Grossa (PR), São Miguel do Oeste (SC), Curitiba (PR), Chapecó (SC) e Frederico Westphalen (RS) (Figura 1, 3).

Ressaltamos especial atenção às microrregiões com nenhum (Frederico Westphalen) ou poucos casos (Erechim, São Miguel do Oeste) em 17/04/2020. Deve-se evitar ao máximo a chegada do SARS-CoV-2 nessas microrregiões pois essas possuem grande potencial de disseminação para regiões vizinhas devido ao tráfego rodoviário intenso. Da mesma forma, sugere-se aos respectivos governos e prefeituras municipais que reforcem as 4 medidas de isolamento social principalmente nas microrregiões com maior potencial de disseminação da pandemia: Cruz Alta e Caxias do Sul (RS, 1 e 64 casos respectivamente), Rio do Sul (SC, 4 casos), e Francisco Beltrão, Wenceslau Braz e Campo Mourão (PR, 3, 3 e 34 casos, respectivamente). Campanhas de conscientização da população sobre medidas de isolamento social podem contribuir para evitar ou postergar ao máximo o estágio de transmissão comunitária e o crescimento exponencial do número de casos nas microrregiões identificadas como potencial núcleo propagador da epidemia em escala geográfica.

 

Isolar é preciso

Recomenda-se a estrita observação das recomendações das autoridades sanitárias e o reforço das medidas de isolamento social em todas as microrregiões. Esta recomendação aplica-se inclusive às microrregiões ainda não afetadas ou classificadas como de vulnerabilidade intermediária ou baixa, independentemente das análises aqui apresentadas. Vale ressaltar que o escopo do presente relatório refere-se à vulnerabilidade e influência das microrregiões nas redes de propagação da epidemia em escala geográfica e não implicam portanto, em qualquer tipo de avaliação, inferência ou recomendação sobre as situações locais da severidade”.

 


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