Não foi apenas para visitar o ex-presidente Lula que o profeta do ócio criativo, Domenico De Masi esteve em Curitiba no mês passado. Ele também fez palestra a convite do Projeto Phi e foi levado a conhecer uma iniciativa inovadora de educação voltada para os filhos da chamada elite. Essa experiência, contudo, não agradou ao pensador e sociólogo italiano.

Domenico De Masi: definições à carcamano

O nariz torcido para o que viu ficou entre aqueles que o convidaram, e só foi revelado, fora dos domínios do grupo educacional, na passagem do personagem ilustre pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, há duas semanas. Àquela plateia, Domenico relatou a visita ao projeto, vendido como inovador e criativo, e disse ter ficado intrigado quando foi apresentado ao diretor, um australiano.

SEM REFERÊNCIA

– Não tenho qualquer referência de criatividade relacionada à Austrália, pensou o convidado. Mas o caldo entornou mesmo quando ouviu do entusiasmado educador que os conhecimentos ali eram todos transmitidos na língua inglesa, tratada como primeiro idioma dos infantes matriculados.

VIRA-LATAS

Ao cabo da visita, diante da pergunta sobre a impressão que levava do projeto, respondeu no melhor estilo carcamano: “vocês estão criando uma geração de vira-latas, esses brasileiros vão crescer achando que tudo o que eles têm no Brasil é uma merda, inclusive a língua; vão achar que é tão ruim que nem o Português eles podem falar”.

BAIXA AUTOESTIMA

De Masi disse que não compreende a baixa autoestima nacional: “o Brasil só não é popular no Brasil, o país de vocês é super bem-visto lá fora e aqui vocês se tratam como vira-latas”.

PRÉ-FASCISMO

Outra causa de surpresa e indignação para o professor de Sociologia do Trabalho na Universidade La Sapienza, em Roma, é a opinião do presidente Jair Bolsonaro de que é preciso acabar com o ensino de Sociologia nas escolas. Sem acreditar que a frase tenha sido proferida de fato, Domênico De Mais sentenciou: “Se ele disse isso, vocês estão vivendo um pré-fascismo”.

LULA E FHC

A propósito, o “mito” foi alvo de ironia do sociólogo famoso, para quem os únicos presidentes brasileiros conhecidos e reconhecidos no mundo são Fernando Henrique e Lula da Silva.

HORAS EXTRAS

Após a palestra na Firjan, Domenico conversou com a plateia e respondeu a perguntas. Uma delas, feita por profissional de Curitiba radicado no Rio de Janeiro, provocou gargalhadas dos presentes. “O que acha de pessoas que trabalham 12 horas por dia e dizem que são felizes; isto é possível?” – questionou. A resposta foi curta e direta: “um homem e uma mulher que trabalham 12 horas por dia e falam que se divertem não amam o trabalho, eles odeiam a família”.

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