Não é hora de vender…

Grandes corporações empresariais, donas de fortes marcas, como O Boticário, as telefônicas e Coca-Cola partiram para a publicidade de esclarecimento. Quer dizer: estão informando a população sobre o momento de pandemia, passando orientações prudentíssimas, pedagógica, como diz Washington Olivetto.

Elas escolheram informar em lugar de vender…

Assim devem agir também os governos, pelo menos os que tiverem recursos e não tenham comprometido todo seu caixa com asfalto em locais por puro “show off” eleitoral, como aconteceu em Curitiba.

 

Ceasa em crise

Não é hora de alarmismo, mas de ficarmos atentos à crise que vai se montando entre os donos de boxes do Ceasa de Curitiba. Uma fonte local fez levantamento “informal” para esta coluna/blog. Resultado: dos cerca de 600 boxes que comercializam hortifrutigranjeiros, “cerca de 70% deles estão com quase zero de movimento”. Quem duvidar é só chegar ao Ceasa, que fica no Pinheirinho.

 

Foto: Divulgação Ceasa Paraná

 

Dupla crise

A crise do Ceasa de Curitiba tem tudo a ver com a pandemia e com a restrição de compras do comércio, dos restaurantes, de instituições diversas que lá se abasteciam.

Há outro senão: pequenos produtores que fornecem àquela central de abastecimento, como que antecipando-se à crise deixaram, em boa parte, de levar suas cargas diárias à central porque temem contágio com coronavírus e importar a pandemia para dentro de casa.

Isso é o que me relata, por exemplo, um antigo fornecedor de hortifrutigranjeiros da estrada do Mosteiro, em Mandirituba.

Rio, SP, RS e SC

Segundo o mesmo informante (que identifico apenas pelas iniciais IA) antes da pandemia as centenas de pequenos produtores da Estrada do Mosteiro recebiam todas as semanas caminhões de compradores do Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Isso numa média semanal de 30 caminhões, alguns deles capazes de carregar até 20 toneladas de hortifrutigranjeiros.

Os caminhões sumiram e boa parte dos produtores foge do corona, fugindo, assim, do Ceasa.

 

Os atravessadores

As 250 “pedras” do Ceasa de Curitiba (locais em que se fazem os leilões das cargas dos produtos) são exemplos eloquentes do “pianíssimo” daquela central.

Os chamados atravessadores – que se colocam entre os produtores e os comerciantes – chegam a ficar com70% do valor dos produtos, é bom lembrar.

 

“Tem trilhardários”

Encrenca nacional, prevista para curto prazo, será a da cobrança das mensalidades escolares de escolas particulares do período em que as aulas presenciais estiverem suspensas. Em São Paulo, algumas delas, como o Colégio São Paulo, da elite, prometem aplicar 30% da mensalidade sobre os dias parados. Já a não menos elitista colégio Bandeirantes está chiando: seu diretor, alegando que a escola “tem trilhardários que pedem descontos”, promete guerra aos pais de alunos.

 

Calculando infectados

A Universidade Federal de Pelotas, que quase sempre aparece sem muito brilho entre as melhores do Brasil, está prometendo revelar logo resultados de seus estudos sobre como projetar o número de infectados por regiões do país.

 

“Tem febre e tosse?”

O ministro Mandetta não brinca em serviço: o telefone 136 do Ministério da Saúde começou a fazer ligações telefônicas, para orientar a população sobre a infecção. “Você tem tosse, febre ou dor de garganta?”, essa pergunta pode salvar vidas.

Serão 125 milhões de ligações telefônicas.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta; participa de coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, sobre as ações de enfrentamento ao covid-19 no país

Opinião de Massuda

Meu amigo Adriano Massuda, que foi secretário Municipal de Saúde no Governo Gustavo Fruet, hoje trabalhando na Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo, tem opinião bem clara sobre como agir no momento: “Há muitos leitos desativado nos hospitais que poderiam ser reativados com custo menor para os governos”.

Massuda, além de ter sido exemplar secretário, atuou em posições chave no Ministério da Saúde e depois passou anos na Inglaterra fazendo doutorado em Medicina Comunitária.

Salve o Massuda!

Adriano Massuda: bom senso

Barroso está mudando

O ministro Luiz Roberto Barroso, a um mês de assumir a presidência do STF, começa a admitir que, talvez, as eleições de outubro devam ser transferidas para dezembro. Não mais que isso, diz.

Ministro Barroso: nova data

Giuliani apagou

Testes científicos demoram muito, especialmente quando envolvem vacinas.

Até por isso, sentido que derrapara ao se precipitar sobre eventual eficácia do cloroquina, o ex-prefeito Giuliani, de NY, tratou de apagar sua postagem sobre “coquetel milagroso no Facebook. Tudo numa boa, pois o ex-prefeito de NY deve saber que ensaios clínicos são demorados.

Rudy Giuliani: desistiu

Petróleo a US$ 10

Farid Zakaria, jornalista prime do Washington Post, dono de excelentes fontes, admite que o preço do petróleo em nível mundial logo chegará a US$ 10 o barril. E lá deverá ficar, enquanto os avaliadores da área admitem que os produtores de petróleo só conseguem lucrar se venderem o produto a preços superiores a US$ 60 o barril.

Situação dramática para Líbia, Nigéria, Irá, Iraque, Venezuela, onde o petróleo ainda é o grosso da receita. Coincidência: nenhum desses países é democracia.

 

Fareed Zakaria: realidade que assusta

Vida ou morte: uma escolha

Não tem nada a ver com política brasileira a informação liberada pelo Imperial College, de Londres: o Brasil, adotando o isolamento comunitário/social, deverá ter 44 mil pessoas mortas pelo coronavírus.

No entanto, adverte a instituição britânica, se o isolamento for vertical (só para idosos e grupos de risco), as mortes chegarão a 529 mil pessoas no Brasil.

O presidente Bolsonaro deve saber dessa advertência.

 

Flanando, “numa boa”

Do alto de meu apartamento, em que moro há 38 anos, constato que as palavras do presidente contra o isolamento estão encontrando algum terreno fértil: desde a semana passada, intenso fluxo de jovens, anciãos e cachorrinhos pela Avenida Sete de Setembro. Sem qualquer cerimônia, contra toda a sabedoria da ciência. E com direito à delicadeza de os tutores dos bichanos a se abaixarem para catar o cocô dos pets.

 

Recuperados e os doentes

Hospital Albert Einstein, SP

Os dois hospitais de ponta do país, Einstein e o Sírio-Libanês, de São Paulo, iniciaram domingo a seleção de possíveis doadores de plasma sanguíneo de pacientes recuperados do Covid-19. A intenção é testar esse plasma em pacientes que ainda têm a infecção.

 

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