A explicação da diferença pode ser encontrada na velha definição do ex-chanceler e poeta Augusto Frederico Schmidt: “… uma elite de m…”

Estação de trem e ruas vazias durante o lockdown em Nova Délhi, na Índia — Foto: Manish Swarup/AP

Na noite de ontem, 4, segunda-feira, tive um longo bate papo online com meu amigo o médico Edmilson Fabbri sobre a pandemia e as formas como ela “elege” seus países ‘preferidos’. Para o bem e para o mal. E que, na maioria das vezes, assim mostram as estatísticas e a geografia, são escolhas sem lógica, não adianta procurar similaridades culturais, étnicas, geográficas, históricas.

Por exemplo, cito Peru e Colômbia, tão vizinhos, mas muito distantes em números de mortes e infectados. Peru chora mortos muito mais que a Colômbia, que vai atravessando bem o período de pandemia.

Mostrei a Edmilson, dono de uma larga visão holística sobre pandemias, e que assim vai muito além da ciência médica, que nas Américas, por exemplo, o Haiti, mais pobre do que a República Dominicana, em que a floresta foi dizimada, que tem muito menos – mas muito menos – de infectados e mortos pelo coronavírus que seu vizinhos dominicanos, com quem divide fronteiras.

Os haitianos são basicamente negros, os dominicanos, fundamentalmente mestiços – índios e espanhóis.

 

Médico múltiplo

Deambular com Edmilson, na abordagem de certos temas, mesmos esses da triste ceifadora de vidas que é a pandemia de agora, enriquece-nos. Ele é um médico múltiplo, com sólida formação em cirurgia, faz clínica geral e é conhecido pela atuação de sua Stressclin, além de colaboração mensal à revista Ideias (mensal) e ao jornal Universidade.

E esses diálogos me levaram a “voar” a outras indagações sobre as quais não se têm respostas seguras. Citei-lhe os casos do Iraque, um país assolado por tantas desgraças, e com baixa taxa de infecção de coranavírus. Bem ao contrário do que corre com vizinhos seus, como Egito.

Mas o mais impressionante e intrigante é a situação da Índia, que apontei como uma realidade absolutamente excepcional, com população 1,300 bi, só inferior à da China, e que até há dois dias não tinha mais de 37 mil infectados pelo corona e 1,200 mortes.

É bom lembrar, para efeito de reflexão, que a Índia tem perto de 6,2 vezes a população do Brasil, país em que se contabilizavam na manhã desta terça-feira pelo menos 7,2 mil mortes pela pandemia.

Um dos “segredos” mais evidentes da Índia está na qualidade de suas elites, de seus governos, que, frente à pandemia, não se escusaram de utilizar o melhor aparato eletrônico para controle do isolamento que lá é cumprido a ferro e fogo. Quase literalmente.

Índia estende restrições por mais duas semanas. A ordem é isolar, sabem a Índia assim como outros países bem sucedidos no combate à pandemia.

Para assegurar que as medidas de prevenção serão mantidas, o governo quer rastrear comportamento população pelo celular.

Augusto Frederico Schmidt: qualidade das elites…; Edmilson Fabbri: médico holístico também X

O cáustico poeta

Por último, mas não menos importante, quero recordar a observação que um dia o poeta, ex-chanceler e escritor Augusto Frederico Schmidt fez a Juscelino Kubitscheck sobre o Brasil e a Índia:

– A diferença é que a Índia tem uma elite de primeira, mas uma população de m…

O Brasil, o contrário: uma elite de m… e uma população de primeira qualidade.

 

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Índia amplia isolamento

Indianos que não respeitaram isolamento são obrigados a fazer agachamentos com as mãos nas orelhas nas ras de Ahmedabad, na Índia

(do G1)

O governo da Índia anunciou que o país vai estender as medidas de controle de circulação da população por mais duas semanas a partir da próxima segunda-feira (4). A intenção é manter o combate à propagação do coronavírus no país que tem mais de 37 mil casos da doença e supera 1,2 mil mortes.

Para isso, agora a Índia impõe que todos os funcionários dos setores público e privado que voltem a trabalhar no período usem um aplicativo de rastreamento via bluetooth e GPS, acessado pelo governo, e mantenham o distanciamento social nos escritórios.

O aplicativo alerta os usuários que podem ter entrado em contato com pessoas testadas positivas para o Covid-19 ou consideradas de alto risco.

Funcionários do ministério de tecnologia da Índia avaliam que o sistema precisa estar em pelo menos 200 milhões de telefones para que seja eficaz no país de 1,3 bilhão de pessoas. O aplicativo foi baixado cerca de 50 milhões de vezes em telefones Android, que dominam a base de usuários de smartphones do país.

O uso obrigatório do aplicativo está levantando preocupações entre os defensores da privacidade, que dizem que não está claro como os dados serão usados e que dizem que a Índia não tem leis de privacidade para administração dos dados do aplicativo.

“Tal movimento deve ser apoiado por uma lei dedicada que fornece uma forte cobertura de proteção de dados e está sob a supervisão de um órgão independente”, disse Udbhav Tiwari, Consultor de Políticas Públicas da empresa de internet Mozilla. Nova Délhi disse que o aplicativo não infringirá a privacidade, pois todos os dados são coletados anonimamente.

O governo da capital informou ainda que pode começar a aliviar algumas das medidas de bloqueio em áreas consideradas de menor risco.

(com dados do G1 de 2-5)

Indianos que não respeitaram isolamento são obrigados a fazer agachamentos com as mãos nas orelhas nas ruas de Ahmedabad, na Índia.

Vídeo: https://globoplay.globo.com/v/8427370


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