Luiz Carlos Martins

O momento de forte impacto político da semana ocorreu dia 12, quando o deputado Luiz Carlos Martins (PP), falando por 10 minutos da tribuna apresentou, a título de sugestão ao governador Ratinho Junior, com vistas a sua adoção no Executivo, uma lista de 30 itens que compõem o que ele denominou de “Cardápio da Limpeza”, instrumento de que a ALEP se cerca, garantiu, para que em seus quadros só sejam admitidos fichas-limpa:

“Não tem como nomear ficha suja em nenhum gabinete da Assembleia. Não tem como nomear bandido, malandro ou malandra. E por que não tem? Porque temos uma lista de exigências que chamo de “cardápio da limpeza”.

Para contratar alguém “só passando por este cardápio”, disse Martins.

As exigências da ALEP preveem toda sorte de certidões negativas, da Polícia Civil à Polícia Federal, Imposto de Renda, Cartórios e até Junta Comercial, etc.

RECADO LINEAR

Certo que a exegese de discurso de forte impacto poderá levar a mais de uma leitura, prefiro ficar, por primeiro, com a linearidade da mensagem; não há como fugir de dela, o discurso não deixa margem para tergiversações:

Luiz Carlos Martins recomendou que o governo seja tão exigente quanto é a ALEP, na hora de admitir secretários de Estado e funcionários de todos os escalões, assim evitando a eventual designação de quadros ‘com vidas pessoais enroladas’.

“IRA DOS JUSTOS”

Conhecendo como conheço Luiz Carlos Martins desde quando ele chegou a Curitiba para iniciar sua vida empresarial e política, vou mais adiante: o parlamentar, imbuído de uma certa “ira dos justos”, não se conforma com os que falam de ‘nova política’, mas conseguem conviver com velhos modelos de administrar, observação que, disse, faz também direcionada ao Tribunal de Contas do Estado e Tribunal de Justiça, para os quais igualmente com veemência recomendou o chamado “Cardápio da Limpeza”.

PRESIDÊNCIA É O ALVO

Vou mais adiante na análise do discurso: político de “uma boa escola de sempre”, perspicaz e ficha limpíssima, Luiz Carlos Martins esclarece:

a) Mostrou não fazer oposição “dedicada ao governador” – “até posso apoiá-lo em certas iniciativas”, me garante;

b) tocou no ponto central: o país exige hoje de homens públicos e de suas equipes que sejam cidadãos acima de quaisquer suspeitas. Não há mais como ignorar esse fato definidor de um novo tempo. Com ele estão exigências de que a Nação não abre mão.

“Sem esse cuidado não há projeto político que vá para frente nos dias de hoje”, observou-me, ainda Luiz Carlos Martins.

MUNDO DE ASSESSORES

Disse mais adiante à coluna o deputado:

– Minha recomendação ao governador talvez colida com sugestões que ele recebe de seus assessores. Dessa forma, advirto: o projeto de Ratinho Junior de colocar-se à disposição para concorrer à Presidência da República (como muito citado recentemente) terá sempre de passar pelo olhar de lupa do eleitor, que hoje é guiado por exigências como as contidas no “Cardápio”.

PREVER PARA PROVER

Por fim, com a sabedoria dos que falam com muita franqueza, Luiz Carlos arremata nossa conversa em torno do discurso:

– Na verdade, prestei um duplo favor com minha advertência: primeiro ao governador do Estado, que dá os primeiros passos; e ao provável candidato à Presidência, ao tratar de matéria tão básica para o futuro do homem público paranaense e seus alvos.

Pois, no Brasil de hoje, nada mais necessário do que prever para prover…

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