Não se pode prever se Edson Campagnolo fará seu sucessor na poderosa Federação das Indústria do Paraná (FIEP), que ele preside, estando no segundo mandato.

Edson Campagnolo: silencioso; Carlos Walter, de Maringá, o sucessor; Eugênio Gizzi: oposicionista e acusador

Só em setembro é quando se saberá, ao final do pleito, que vai reunir centenas de sindicatos.

Há, é certo, algumas certezas, como a de que o páreo será duro. E também a certeza de que Campagnolo, por seu turno, soube plantar caminhos seguros e suaves para o industrial Carlos Walter, de Maringá, há anos reconhecido pelos que conhecem o universo da FIEP como aquele que sempre foi “o sucessor in pectore” há anos definido por Campagnolo.

NUNCA NEGOU

Eu mesmo, por vezes, brinquei com Campagnolo que ele já há muito teria escolhido o industrial maringaense para seu sucessor. Como resposta, recebia um sorriso discreto, jamais uma negativa.

Campagnolo, um ser ameno, educado, nunca empinou o nariz, ao contrário de outros seus antecessores que se deslumbraram com o poder e os R$ milhões do Sistema FIEP e nomes mais ou menos tradicionais ou poderosos que os identificavam.

BOM ARTICULADOR

Ele trabalhou bastante, foi bom articulador, teve presença constante e forte nos foros empresariais – como o chamado G7 -, tendo cometido, no entanto, o grave erro de ter se encantado com a perspectiva política de concorrer a vice-governador do Estado na chapa de Ratinho Junior.

Os conhecedores dos caminhos e roteiros que definem as eleições no Paraná nunca tiveram dúvida que entre Campagnolo, Ortigara e Darci Piana, este – presidente da Fecomércio-PR – acabaria levando a melhor.

TRADIÇÃO GAÚCHA

Com meu olhar de etnógrafo amador, nunca tive dúvidas de que o embate dentre os 3 herdeiros de tradições gaúchas, Piana tenderia a ser o vitorioso. Tinha cancha, tradição e nome consolidado no Estado.

Na verdade, recordo até ter dito a Campagnolo que ele deveria concorrer ao Senado e não a vice. Seria uma terceira via, entre Richa e Oriovisto, tal como acabou sendo a escolha de Flávio Arns, que correu como azarão.

E ganhou o Senado.

EUGÊNIO GIZZI

Não conheço o candidato Eugênio Gizzi, que preside a chapa oposicionista. Li sua ampla manifestação feita em nota oficial. Ele promete as renovações e novas posturas nem sempre factíveis depois de uma eleição bem-sucedida.

Uma delas, a de que não receberá salários da FIEP. Prega também contra o que denomina de nepotismo na instituição, realidade que acusa Campagnolo de ter desenvolvido.

DIGNO SALÁRIO

Não sei quanto Campagnolo recebe pela posição que exerce na FIEP. Sou dos que acreditam que “digno é o operário de seu salário”, desde que dentro dos padrões de remuneração condizentes com a posição exercida.

O voluntariado não é o mais recomendável para um trabalho full-time como o da FIEP.

NEPOTISMO

Também desconheço detalhes em torno da questão do alegado nepotismo.

Não sou, no entanto ingênuo: num colegiado enorme, como o que elege a diretoria da instituição, sei que sempre haverá pedidos de empregos para familiares. Foi assim como Carvalhinho, com Rocha Loures, e, também com distantes presidentes como João Lídio Bettega, Mário De Mari, e outros.

PACIFICADOR

O que sei é que o espírito pacificador e com alta voltagem de crenças evangélicas de Campagnolo facilitou muito que se montassem arapucas de última hora, envolvendo seu nome em supostos desvios administrativos na FIEP.

E mais: acusações de que estaria sendo investigado pelo GAECO.

Nada disso se comprovou verdadeiro. Pura fake news.

UM GESTO POLÍTICO

No final de tudo, percebi um gesto político maduro de Campagnolo: na eleição passada, ele até mostrou-se simpático (o que não significa que a tivesse apoiado) ao nome de Cida Borghetti, casada com o seu grande opositor na primeira eleição que concorreu à FIEP – o deputado e ex-ministro Ricardo Barros.

TEMPO DE MUDA

Resumo: parece-me que Campagnolo está na muda, fala pouco sobre o pleito eleitoral da FIEP. Jornalistas se queixam, dizendo que nem a telefonemas Campagnolo responde.

Esse silêncio obsequioso pode ser lido, por outro lado, como lição de prudência de alguém que conhece a milenar recomendação bíblica – “calar é ouro”. Às vezes.

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