Documento preliminar prevê até discutir missão especial às mulheres. E como o celibato não é dogma, a ideia de padres casados atuando na Amazônia pode incluir a ordenação de “viri probati”, de fé comprovada.

Papa Francisco e dom Cláudio Humes: “viri probati”

O Vaticano acaba de publicar o documento “Instrumentum Laboris”, um instrumento para o trabalho, como me explicou na manhã desta terça-feira, 18, o arcebispo de Curitiba, dom José Antonio Peruzzo.

O documento não traz decisões, apenas sugere reflexões à Igreja. “Nele, o Papa Francisco”, disse Peruzzo, “trabalha antigo tema”, colocando a discussão, para ser examinada no Sínodo da Amazônia, convocada para Roma, a possibilidade de ordenação de homens de vida moral exemplar – “viri probati”.

Essa possibilidade, se consumada, deverá privilegiar varões indígenas e que possam também pregar na língua dos nativos.

CARÊNCIA AMPLA

– Para Peruzzo, no “Instrumentum Laboris” o pontífice deixa mais uma vez antever a possibilidade de uma nova experiência na Amazônia, diante da carência de sacerdotes na região, “com a população privada do sacramento da Eucaristia”, lembrou.

Essa falta de sacerdotes na Amazônia brasileira é tão grande, frisou dom Peruzzo, que , por exemplo, a Diocese de Xingu conta com apenas 25 padres para atender a um território maior do que o do Paraná.

INSTRUMENTO DE REFLEXÃO

Olhando com muito bons olhos os temas sugeridos pelo “Instrumentum Laboris”, que, disse, “é apenas um instrumento do Vaticano para reflexão preliminar”, o arcebispo não deixa de saudar a possibilidade de que “um caminho novo” venha s surgir.

O arcebispo recorre ao exemplo da Igreja Católica Romana na Ucrânia, onde os católicos são 50% de população e 95% de seus padres são casados, “situação irreversível”.

O arcebispo de Curitiba discutirá as propostas do documento com outros bispos do país, em outubro, na CNBB, em Brasília.

NÃO É DOGMA

Como o celibato clerical não é dogma de fé, mas questão disciplinar da Igreja, essa determinação pode ser mudada. Assim como é oportuno lembrar que as igrejas Maronita e Melquita, ligadas a Roma, atuantes no Oriente, têm clero casado.

Só os bispos são obrigatoriamente celibatários.

O assunto é amplo. O documento surpreende, primeiro com a sugestão de pregação em língua dos indígenas, com base em sua cultura e língua.

A VEZ DA MULHER

O documento surpreende igualmente em outro ponto, como aquele da proposta oficial de ministério para as mulheres na área pan-amazônica (os noves países da região amazônica). O texto não especifica como se dará esse ministério, que ficará para o Sínodo resolver, em outubro.

MAIS OPOSIÇÃO

Admite-se que o “Instrumentum Laboris” tem tudo para ampliar oposições ao papa Francisco, por parte do clero e cardeais conservadores, como Robert Sarah, prefeito da Congregação do Culto Divino.

A nova proposta de padres casados para a Amazônia foi por primeiro dada ao papa Francisco pelo cardeal Cláudio Humes, emérito de São Paulo, e muito ligado ao pontífice.

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