O grande debate da semana não foi a novela das nove com a disputa entre mãe e filha, traições e beijo gay.

A discussão que tomou conta do noticiário foi a novela mexicana em que se transformou o nosso Supremo Tribunal Federal e o julgamento da prisão em segunda instância.

Horas de transmissão pela TV, debates incansáveis num idioma que ninguém entende, e juízes transformados em estrelas globais.

Presidente do STF – Dias Toffoli – Foto: Divulgação STF

Passamos os últimos anos vivendo o século impunidade. No Brasil era regra dizer que bandido não vai para a cadeia, que só pobre vai para a prisão e que o Judiciário foi feito para garantir que os ricos continuem ricos e livres, leves e soltos.

Mas num flash de esperança surgiu a Operação Lava Jato.

Passamos a sonhar com igualdade e justiça para todos.

Vimos os corruptos, alguns confessos, outros descobertos, serem presos e julgados.

Os brasileiros foram às ruas agradecer ao então juiz Sergio Moro, à Policia Federal e aos Procuradores Federais, o fim da impunidade.

O Brasil foi reconhecido internacionalmente como um país que estava mudando de uma republiqueta de Terceiro Mundo para um patamar superior, para um país onde ninguém fica impune, nem os poderosos de plantão.

Demorou um pouco mas acordamos para a nossa realidade.

Estávamos sonhando com um país melhor, mais justo e mais honesto.

Mas despertamos com os fantasmas togados do Supremo Tribunal Federal que com suas túnicas negras trataram de assombrar os brasileiros de bem.

A Operação Lava Jato fez enriquecer os escritórios de advocacia criminal. Advogados contratados a peso de ouro com o dinheiro desviado da Petrobras e de obras públicas.

Pois é, advogado pode receber dinheiro do crime organizado que está tudo bem. Mas não é qualquer dinheiro não, são milhões e milhões de reais.

Dinheiro que a gente não vai ver nem ganhando da Megasena da virada.

A Justiça brasileira foi feita para quem tem dinheiro e ponto final.

E vou dar dois exemplos.

O ministro Marco Aurélio manda soltar o líder do PCC em Santa Catarina alegando que o pobre moço estava preso fazia 5 anos e o recurso que seu advogado entrou não tinha sido julgado ainda. O cara é traficante, ladrão de banco e assassino. Imaginem o que ele deve estar fazendo agora?

E a ministra Rosa Weber que nos últimos três anos estava votando a favor da prisão depois da segunda instância, que falava que lugar de corrupto era na cadeia, de uma hora para outro, do nada, acorda pela manhã e diz que tudo que ela fez não valia e que agora era diferente.

No Brasi a lei é interpretada conforme o VALOR do advogado que a defende. Por isso que aqui rico não vai para a cadeia e ponto final.

Parabéns ao Supremo Tribunal Federal que reimplantou a impunidade no Brasil

* Alexandre Teixeira
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas.

Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.