Mais uma confusão do governo do Presidente Jair Bolsonaro na área da saúde. Ele publicou um decreto, provavelmente sem ler, autorizando estudos para implantação de parcerias privadas para as UBS (Unidades Básicas de Saúde). Depois da repercussão negativa o presidente cancelou a publicação. Ele passou mais um dia pensando e disse que vai republicar o decreto em breve com algumas alterações. Culpou parte da imprensa pelo problema e mandou chumbo em direção à ex-presidente Dilma, que criticou a proposta se esquecendo, segundo Bolsonaro, que o decreto cancelado era quase uma cópia de um decreto que ela mesmo havia editado antes de ser cassada pelo Congresso Nacional.

Se existe uma coisa boa no Brasil é o SUS, Sistema Único de Saúde. Criado pelo paranaense Alceni Guerra, ex-ministro da Saúde, o nosso SUS é exemplo para diversos países do mundo, inclusive europeus, que copiaram o modelo que garante atendimento para toda a população. Desde a sua criação o SUS passou por trancos e barrancos, por crises, por falta de dinheiro e por gestões incompetentes, mas conseguiu sobreviver. É claro que ele precisa de ajustes e talvez seja isso que o presidente Bolsonaro esteja pensando em fazer.

A ex-presidente Dilma obrigava os prefeitos a receberem dinheiro do Governo Federal para construírem as tais UPAs (Unidades de Pronto Atendimento), mas não dava dinheiro para equipar, contratar médicos, enfermeiros e atendentes, remédios e outros insumos. Ainda hoje existem UPAs por ai fechadas, sem atender ninguém que esteja precisando.

O governo tem competência para aplicar dinheiro, mas quando o assunto é fazer gestão saia correndo, porque com certeza vai dar problema. Para contratar médico tem que fazer concurso público, para comprar equipamentos e remédios só com concorrência pública, essa burocracia deixa tudo mais caro, mais demorado e na maioria das vezes não acontece.

Quando se fala em parceria público/privada para as Unidades Básicas de Saúde, a ideia é boa desde que o governo garanta o recurso e fiscalize a sua aplicação. Na iniciativa privada não pode faltar médico porque ele ficou doente ou pegou uma folga ou uma licença prêmio. Tem que ter médico cumprindo horário caso contrário a empresa que faz a gestão da Unidade não recebe o dinheiro no final do mês. Se não tiver atendimento não tem pagamento, simples assim.

Quem tem que dar o parecer final sobre as parcerias privadas na area da saúde é quem usa e precisa do sistema público. Quem está na fila aguardando atendimento, esperando por um exame ou consulta com especialista, ou na na fila da farmácia torcendo para o seu remédio chegar, é que deve opinar sobre se é bom ou não uma melhoria nas Unidades Básicas de Saúde. A turma que tem plano de saúde, vai no médico particular ou não se importa com o preço do medicando na farmácia, não deveria de dar palpite, deveria ajudar a melhorar o sistema para quem precisa dele.

 

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.


Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.