Segundo estudos do TSE, o Tribunal Superior Eleitoral, 55 países do mundo adiaram as eleições por conta da pandemia do Coronavírus. As autoridades eleitorais desses países acharam melhor postergar os pleitos eleitorais ao invés de colocar a população em risco em nome da democracia.

Mas na França, as eleições municipais aconteceram com níveis de comparecimento muito baixos, por volta de 30 a 40%. Significa dizer que de cada 10 eleitores franceses, apenas 3 ou 4 compareceram à votação. A população francesa priorizou a sua saúde e deixou a democracia em segundo plano.

O Superior Tribunal Eleitoral deveria ouvir o eleitor brasileiro, perguntar o que nós achamos de um possível adiamento.

Foto: José Cruz/Agência Brasil

O momento atual requer cautela. Com a pandemia e a proibição de aglomerações como ficariam as reuniões políticas, aqueles encontros entre os candidatos e os seus eleitores? E os famosos comícios? As carreatas ou passeatas? Aquele corpo a corpo entre o candidato e o eleitor, com aperto de mãos, abraços e fotos?

Nada disso poderá acontecer?

Quem ganha e quem perde com essas proibições?

Ganha quem já tem mandato, quem tem a máquina pública na mão, quem é mais conhecido, e quem tem mais dinheiro para gastar.

Perdem os candidatos de oposição, aqueles que representam as minorias e os mais novos ou desconhecidos, que tentam promover a renovação da classe política.

Se o povo brasileiro opinar pelo adiamento, o TSE deveria pensar fortemente nessa possibilidade, para evitar o desequilíbrio de forças nas eleições municipais.

Mas qual seria a saída para o adiamento?

Faz tempo algumas pessoas falam na unificação das eleições. Por que precisamos correr de 2 e 2 anos para as urnas? O Brasil tem necessidade de gastar bilhões de reais para imprimir santinhos, pagar cabos eleitorais e programas de televisão para decidir quem vai mandar no dinheiro público?

Os governadores se elegem pensando nas eleições municipais dos próximos dois anos para garantir mais apoio político e uma possível reeleição. Candidatos a prefeito usam as eleições para colocar os seus nomes no cenário e quem sabe disputar uma eleição para deputado apostando no recall eleitoral.

Uma solução para esse problema seria prorrogar os mandatos de prefeitos e vereadores por mais 2 anos. Os prefeitos não teriam direito à reeleição. E nas eleições de 2022 elegeríamos Presidente, Governadores, Prefeitos, Deputados, Senadores e Vereadores. E sabe o melhor de tudo? O Brasil poderia usar os bilhões de reais do Fundo Eleitoral para o sistema de saúde ao invés de torrar tudo com cabos eleitorais. Eu acho uma boa ideia, e você, acha o quê?

 


Alexandre Teixeira
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.