O carioca Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, deu uma declaração essa semana dizendo que o “Centrão” deveria ter uma nome de consenso para disputar a presidência da República em 2022.

Isso mesmo 2022. O pessoal já está falando na sucessão de Jair Bolsonaro quando ele acabou de completar um ano de mandato.

Parece loucura mas não é.

Foto: Agência Câmara

Rodrigo Maia para bobo não presta. Quando deu a declaração e citou os nomes de Ciro Gomes, Luciano Huck e João Doria, ele antecipou o debate da eleição e colocou os três pré-candidatos na fritura.

Ciro Gomes é o eterno candidato. Estilo coronel do sertão. Tem fama de bater em mulher e de beber além da conta. Os vídeos dele agredindo verbalmente as pessoas se espalham na internet. Como ele foi muito ligado a Lula no passado, pode atrair um tipo de eleitor de esquerda que está órfão do ex-presidente.

Luciano Huck vai na cola do presidente Trump. Homem de negócio, milionário, conhecido em todo o Brasil por conta do seu programa de televisão na Rede Globo. Vem com o discurso de mudança, de fazer um governo de resultados, etc. Ele não sabe nada de gestão pública e o Brasil não é um programa de televisão onde você pega um carro velho e transforma numa máquina nova. Isso não existe.

João Doria também veio na cola do fenômeno Donald Trump. Empresário de sucesso, ganhou a prefeitura de São Paulo e depois pulou para o Governo do Estado. Está tentando fazer uma boa administração, mas São Paulo é a locomotiva do Brasil, estado mais rico da nação. Ele não atrapalhando já basta para fazer um bom governo.

Quando Rodrigo Maia citou os três nomes ele criou a seguinte estratégia: Colocou os três “soldados”na linha de frente para tomar tiro e fica atrás esperando para ver quem cai primeiro para ocupar espaço.

Isso mesmo, o Rodrigo Maia é candidato à sucessão de Jair Bolsonaro. Ele está tentando mudar o regimento interno da Câmara dos Deputados para permanecer presidente da Casa até o final de 2022 e continuar na mídia nacional com grande exposição e principalmente articulação política. Já o presidente Jair Bolsonaro, que sempre disse que era contra a reeleição parece que sentiu o gosto do poder e vem dando sinais que pode concorrer a um novo mandato. Por isso ele vem “fritando” o ministro Sérgio Moro, que tem mais popularidade que ele e que vem sendo apontado pelo institutos de pesquisa como o mais forte candidato às eleições presidenciais de 2022.

Até lá vamos ver o que acontece. Será uma guerra de babuínos com certeza. Aquele que terminar a guerra mais limpo será o vencedor.

Alexandre Teixeira
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas.

Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.