Quem é trabalhador, de carteira assinada, sabe muito bem o que representa o reajuste salarial.

O reajuste é a forma legal de corrigir perdas provenientes da inflação.

A inflação corrói o seu salário e se não houver essa reposição o seu poder de compra vai diminuindo a cada dia.

Mas o trabalhador do setor privado sabe que o patrão para dar reajuste salarial precisa estar com as contas da empresa em dia.

Servidores se concentraram na Praça Santos Andrade. Foto: AN/BandaB

Precisa gastar menos do que recebe com os seus serviços ou com a venda dos seus produtos.

Quando isso acontece, trabalhadores e patrões se sentam numa mesa de negociação e discutem qual o valor dessa reposição.

Nada mais justo e transparente.

O problema, é quando essa reposição é dos funcionários públicos.

Eles mesmos os empregados dos povo.

Aqueles que deveriam prestar um serviço público de qualidade e serem remunerados com os impostos que o governo arrecada de nos, contribuintes.

Mas os salários do setor público são em média até 10 vezes maiores do que no setor privado.

As suas aposentadorias a gente nem fala porque são muito maiores do que a de um trabalhador comum e o tempo de contribuição é bem menor do que o nosso.

Nos do setor privado financiamos o INSS para pagar as aposentadorias do setor público. Por isso a reforma da previdência é tão importante.

Mas eles também são trabalhadores e merecem a reposição da inflação.

Aí é que começa a confusão.

Mereceriam se produzissem como deveria ser a regra.

Mereceriam se o Estado tivessem dinheiro em caixa para dar o reajuste.

Para dar reajuste é preciso cortar investimentos, e sem investimentos não tem melhorias na saúde, na educação e na segurança pública.

O problema não é o apenas o reajuste.

O problema são as falsas promessas.

Ganhar a eleição significa prometer mundos e fundos.

Dizer que fará isso e aquilo. Que irá resolver todos os problemas do mundo

O eleitor acredita e acaba caindo no conto do vigário.

Não existe almoço de graça.

Resultado:

Greve no serviço público, protesto da polícia, escolas sem aula e hospitais sem medicamentos e sem atendimento.

Isso tudo porque prometeram fazer algo que sabiam que não seria possível.

Agora quem paga a conta é o povo.

Para dar aumento tem que aumentar imposto ou cortar investimento.

Ser não tiver aumento, tem greve.

Nos dois casos quem paga a conta é o povo.

Pejo jeito estamos num mato sem cachorro.

*Alexandre Teixeira

Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas.

Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.

Foi Diretor do Ministério do Esporte e Turismo, membro do Comitê de Patrocínio da Secretária de Comunicação Social da Presidência da República e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, no segundo mandato de então presidente Fernando Henrique Cardoso.