Graças a Deus o presidente Jair Bolsonaro teve um minuto de consciência e resolveu botar um ponto final na especulação sobre a divisão do Ministério da Justiça. Segundo ele disse nessa sexta-feira, 24 de janeiro, a “chance é zero”de isso acontecer. Vamos ver até quando ele vai manter a sua palavra.

(Foto: Marcos Corrêa/PR)

Brasília é mesmo um lugar complexo e Sérgio Moro, na sua “inocência”, tem sido o alvo preferido de políticos tradicionais, dos medalhões do Judiciário, e de alguns ex-parlamentares de moral duvidosa.

Moro tem acumulado derrotas no Congresso Nacional e nos Tribunais Superiores. Se formos analisar mais de perto não são derrotas do Ministro da Justiça, na verdade são derrotas da sociedade brasileira.

Quando deputados e senadores esvaziaram o “pacote contra o crime” eles deram o seguinte recado: somos a favor da corrupção, da lavagem de dinheiro, do caixa 2 em campanha eleitoral e contra a prisão em segunda instância.

Moro, não reagiu, deu a sua opinião contrária às mudanças e tentou convencer o presidente Bolsonaro a vetar alguns itens e ponto. Não fez mais nada, não foi polemizar na imprensa ou nas redes sociais. Como um lorde, ele se recolheu na derrota e focou no trabalho do Ministério da Justiça, onde tem mostrado bons resultados.

Sérgio Moro é o ministro mais popular do governo Jair Bolsonaro, tem mais popularidade e mais aceitação que o próprio presidente da República. Na guerra de egos da política, ser mais popular que o presidente é um grande problema. Foi ai que entrou um ex-parlamentar condenado por desvio de dinheiro público. Ele se aliou à um delegado da Polícia Federal, que é amigo de políticos poderosos, e passaram a fazer lobby para enfraquecer Moro e dividir o Ministério.

Com certeza o interesse deles não era melhorar a performance do Ministério ou da Segurança Pública, ou garantir melhores condições de trabalho para a Polícia Federal e muito menos de garantir a continuidade da Operação Lava Jato.

Os interesses deles eram outros e todos nós podemos imaginar que tipo de interesses eram esses.

Sergio Moro e a sociedade brasileira ganharam a batalha, mas ainda não venceram a guerra.

Ele precisa ficar atento porque, em Brasília, os inimigos estão por todos os lados, fantasiados de amigos ou aliados, mas que na verdade são bichos peçonhentos, esperando a primeira oportunidade para dar o bote.

Moro precisa ter cuidado já que está sendo cotado para suceder Jair Bolsonaro, o que seria um fim dos tempos para os tubarões da política brasileira.

Alexandre Teixeira
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas.

Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.