Toda a vez que o presidente Jair Bolsonaro tem um problema ou uma crise pela frente ele parte para o ataque, para o destempero verbal, em busca de aplausos daquele cordão de puxa-sacos que vive no seu entorno.

Morreram 162 mil brasileiros até o momento em função da pandemia do coronavírus. O presidente desrespeitou normas sanitárias, demitiu dois ministros da Saúde, acabou infectado pelo covid e viu seu vice-líder no Congresso ser flagrado com dinheiro na cueca, fruto de desvio de recursos públicos que deveriam ter sido utilizados no combate à doença.

O Brasil é o segundo país do mundo com mais casos, perdendo apenas para os Estados Unidos, que fez a pior gestão da pandemia e custou ao presidente Donald Trump a reeleição à Casa Branca.

Bolsonaro trava sozinho uma luta contra os seus próprios fantasmas. Comemora a morte de um voluntário da vacina chinesa “coronavac” só porque ela é produzida pelo seu novo inimigo João Dória, governador de São Paulo, que sonha em ser um Trump tropical e assumir a presidência na República no próximo mandato. É um horror mas é verdade.

O nosso presidente chama os brasileiros de maricas por respeitarem as normas sanitárias, por estarem se cuidando e cuidando de suas famílias, e não permitindo que o vírus se alastre como está acontecendo na Europa. Os europeus vivem uma segunda onda da pandemia, mais poderosa e difícil de ser controlada, e estão apostando todas fichas em novos confinamentos e restrições, já que a vacinação em massa só deverá ocorrer em meados do segundo trimestre do ano que vem.

As atitudes do presidente, que oscila poucos bons momentos com inúmeras polêmicas e confusões, podem lhe custar a reeleição, seguindo os mesmos passos do amigo e aliado americano.

Cresce no Brasil a sensação de que precisamos de mais equilíbrio, que precisamos de união, que necessitamos de sensatez. Bolsonaro briga até com o seu vice, o general Mourão, porque ele compartilhou com 15 ministros do governo um estudo sobre desapropriar as terras na Amazonia de fazendeiros que promovam desmatamento e queimadas ilegais. Esse isolamento não é bom para o presidente e não é bom para o Brasil. Bolsonaro pode até achar que está bem, mas o termômetro da popularidade não é o twitter dos filhos e sim o resultado das eleições municipais, onde o presidente não conseguiu emplacar nenhum dos seus candidatos nas capitais ou grandes cidades. O general Santa Cruz, o mais respeitado militar das Forças Armadas Brasileiras, mandou um recado para o presidente: o Brasil não precisa de fanfarronice…..

 

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.


Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.