Todo mundo tem um filho, um neto ou sobrinho preferido.

Aquele que mais se parece com você, tem o teu jeito, gosta do mesmo tipo de comida.

Aquele que segue os teus passos e com o qual você acredita que tudo vai dar certo.

Quem tem esse tipo de relação acaba muitas vezes mimando demais a criança e fica cega para as suas travessuras.
Acaba passando a mão na cabeça a cada erro ou mal-feito. Não vê que está criando um monstro.

Eduardo Bolsonaro – Foto: Agência Câmara

Mas o que isso tem a ver com o cenário político nacional?

Muita coisa.

Primeiro é com a relação entre Jair Bolsonaro e seus filhos.

Nos primeiros meses do governo o presidente passou mais tempo apagando os incêndios causados pelo filho vereador, que usava as redes sociais para derrubar ministros, pautar a política nacional, atacar os críticos do seu pai de maneira agressiva e muitas vezes descortês.

Depois passou a administrar a crise com o filho que quando era deputado estadual se envolveu em operações financeiras investigadas pelo tal COAF.

Agora quer emplacar o outro filho como Embaixador do Brasil nos Estados Unidos.

A questão é: não dá para ficar fazendo as vontades dos filhos o tempo todo.

Um filho não gosta do ministro tal, derruba o ministro.

Um filho reclama da investigação do COAF, o governo faz corpo mole e deixam os deputados tirarem o órgão das mãos do ministro Sergio Mouro e colocarem no Ministério da Economia.

Um filho diz que quer ser embaixador, sem ter feito o Itamarati e nunca ter tido carreira diplomática, e ganha de presente a embaixada mais importante, a dos Estados Unidos.

Segundo é a relação de Bolsonaro com os brasileiros.

Os brasileiros que votaram nele, e o colocaram no lugar mais importante da Nação.

Bolsonaro é como se fosse o nosso filho preferido.

Aquele que escolhemos para cuidar da nossa empresa, dos nossos negócios e de toda a nossa família.

Aquela pessoa que escolhemos para colocar a casa em ordem e que tem o dever de garantir o nosso futuro.

Pois bem, apesar de ser o nosso filho preferido, ele não está livre de levar um puxão de orelha quando comete um erro.

Eu não concordo com essa educação moderna em que tudo pode.

O resultado está ai, adolescentes agredindo pais e professores, uma falta de respeito e uma permissividade sem limites.

Eu acho que um tapa na bunda não doi e é bastante educativo.

Por isso, acho que puxar a orelha do presidente quando ele erra, também é educativo.

Bolsonaro sabe que pode contar com o apoio dos brasileiros.

Ele só não pode errar quando coloca as vontades da sua família acima dos interesses de milhões de brasileiros.

* Alexandre Teixeira
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas.

Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.

Foi Diretor do Ministério do Esporte e Turismo, membro do Comitê de Patrocínio da Secretária de Comunicação Social da Presidência da República e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, no segundo mandato de então presidente Fernando Henrique Cardoso.