A Polícia Federal conseguiu prender esta semana quatro pessoas acusadas de serem os responsáveis pela violação do celular do ex-juiz e atual Ministro da Justiça, Sergio Moro, e do procurador da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol.

Até o momento as coisas ainda não estão totalmente esclarecidas pelas autoridades. Uma fonte da Polícia Federal disse que puxaram um pelo e descobriram um elefante. Mais de mil pessoas, entre autoridades, juízes, promotores e políticos tiveram os telefones clonados por essa turma. Até o celular do presidente Jair Bolsonaro caiu nas mãos dessa quadrilha.

Imagem ilustrativa

Nas próximas semanas vamos saber se teve mandante, se eles venderam as informações, se eles simplesmente compartilharam com o tal site de notícias do jornalista americano, Greenwald. Já descobriram 100 mil reais em dinheiro na casa de um deles, mas de 670 mil reais em movimentação financeira na conta de outro, e a Polícia Federal quer saber da onde vem esse dinheiro todo. Um deles, que aparentemente parece ser o líder do grupo, se apresentou com amigo de pessoas influentes mas já foi condenado por tráfico de drogas. Estava por ai, livre, leve e solto graças aos recursos jurídicos e à morosidade de Justiça. Pra pobre isso não acontece.

Os jornalistas que vazaram as conversas entre o então juiz Moro e os procuradores da Lava Jato ficaram calados nas primeiras horas, e depois partiram para o ataque dizendo que quem deveria ser investigado deveria ser o ex-juiz e não eles.

Uma vez que escrevi que o Brasil estava passando por uma total e completa inversão de valores.

Bacana é ser ladrão, ser corrupto, ser estuprador, bater em mulher e não ter ética e muito menos moral. Se você fazia alguma crítica a esse tipo de gente era taxado de facista e de autoritário. Bacana era ser Black Block sair quebrando tudo pela frente em protestos, postar nas redes sociais e sair dando risada na cara das autoridades.

Lembro daquele cinegrafista de uma rede de televisão, pai de família, morto por conta de um rojão atirado contra ele por dois “manifestantes”, que até agora estão curtindo a praia no Rio de Janeiro, enquanto mulher e filhos choram em cima de uma sepultura.

O Brasil não pode ser o país da impunidade. Onde todo mundo faz o que quer independente das consequências. A nossa sociedade precisa ter limites. É preciso respeitar regras. Saber que na democracia o poder é do voto, é da maioria, daqueles que ganham as eleições. Essa história de coxinha e mortadela já passou dos limites.

Temos que entender que somos todos brasileiros. Independente de cor partidária e de religião. Que devemos respeitar as leis, mesmo que não concordemos com algumas delas. Que devemos trabalhar e produzir, e não roubar e tirar o que é do próximo.

Volto a repetir, prefiro que juiz e promotor se falem para colocar corruptos na cadeia, do que os corruptos combinando como roubar o povo e sair livre por ai.

 

* Alexandre Teixeira
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas.

Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.

Foi Diretor do Ministério do Esporte e Turismo, membro do Comitê de Patrocínio da Secretária de Comunicação Social da Presidência da República e do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, no segundo mandato de então presidente Fernando Henrique Cardoso.