O sistema político brasileiro está falido faz tempo e todo mundo sabe disso.

Temos hoje um total de 32 partidos registrados oficialmente e um monte de outros que estão buscando registro para entrar no jogo eleitoral.

Tenho dúvidas que algum cidadão brasileiro conheça essas 32 legendas.

O jogo eleitoral não é apenas disputar as eleições, ter uma agremiação que defenda uma ideologia ou um projeto de desenvolvimento para o país, mas sim a divisão do bolo de dinheiro, representado pelo fundo partidário de mais de três bilhões de reais.

As pessoas montam um partido político para ter acesso a dinheiro fácil.

Essa história toda de partido de aluguel veio à tona essa semana com a briga entre o presidente Jair Bolsonaro e os líderes da sua legenda, o PSL.

O presidente Jair Bolsonaro – Foto Ag. Brasil

Num primeiro momento Bolsonaro disse que iria mudar de partido e junto com ele levaria uma grande turma. Depois voltou atrás, dizendo que as críticas que fez nada mais eram que um tipo de briga entre marido e mulher, que em breve tudo voltaria ao normal.

Sabemos bem que não é isso.

Bolsonaro sempre pertenceu ao baixo clero dos partidos por onde passou.

Baixo clero é aquele local onde ficam os deputados de pouco expressão, que não são articulados ou que não fazem parte do círculo do poder.

O então deputado sonhava com uma candidatura presidencial, embalado pelo discurso anti-PT e pelo apoio ao combate à corrupção. Na antiga legenda não teria espaço, então procurou um partido nanico, de baixa representatividade, onde poderia lançar o seu projeto.

Deu certo, mesmo com os míseros 17 segundos de horário eleitoral.

O que fez Bolsonaro aliviar a mão contra o PSL?

A possibilidade dos deputados e senadores que mudassem de partido perdessem seus mandatos por conta da tal infidelidade partidária.

Infidelidade partidária soa como uma brincadeira para os brasileiros.

Os traídos não são os partidos políticos, mas sim os eleitores.

Todos que disputam as eleições prometem mundos e fundos na hora de conquistar o voto, mas bastou tomar posse que o discurso muda, e a prioridade passa a ser os seus interesses pessoais e não as necessidades de quem votou nele.

Muita gente pode até me criticar, mas sinto saudades da época em que o Brasil tinha apenas 2 partidos políticos, Arena e MDB.

Era como um jogo de futebol, um time contra o outro, e todo mundo sabia o que acontecia. Não tinha fundo partidário, não me lembro de denuncia de caixa 2 e muito menos de gente roubando a Petrobras para financiar projeto político.

O Brasil é assim mesmo. O povo parece que gosta de ser enganado, de fingir que não é com ele, o resultado está ai, nas ruas, para quem quiser ver.

* Alexandre Teixeira
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas.

Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.