Nesta semana o mundo foi bombardeado por horas de notícias a respeito das eleições presidenciais estadunidenses. A possível vitória de Joe Biden sobre Donald Trump vai demorar muito para ser conhecida, em virtude dos recursos judiciais que o atual presidente promete entrar contra o resultado das urnas.

Essa confusão toda deixou o brasileiro com um sentimento de orgulho da nossa democracia. Apesar dos problemas, dos defeitos e dos erros, o Brasil tem hoje um sistema eleitoral consolidado, seguro e que serve de exemplo para outras democracias do redor do mundo. Nas próximas eleições, em questão de horas, teremos os resultados finais divulgados, teremos os vencedores e os derrotados devidamente conhecidos. Não vamos passar horas, dias, muito menos semanas assistindo a uma sucessão de pataquadas de candidatos questionando a legitimidade do processo ou querendo que votos não sejam mais contados, como se pudessem decidir quem tem o direito ou não de votar.

É claro que o sistema eleitoral brasileiro não é perfeito, mas essa semana pudemos ver que ele é muito melhor que o norte-americano. Temos que melhorar em diversas coisas, como por exemplo no Fundo Eleitoral. Esta ferramenta de financiamento de campanha foi aprovada no momento em que a Operação Lava Jato estava no seu auge. Era importante dar um freio no caixa 2 eleitoral, tentar evitar que a corrupção no setor público financiasse certos candidatos, e que todo o processo fosse mais transparente. Resolveram tirar bilhões do orçamento, que poderiam financiar a saúde, a educação e a segurança pública, para financiar partidos políticos e candidatos. Foi um erro grosseiro do Congresso Brasileiro, que precisa ser revisto.

O Fundo Eleitoral serve para que os partidos políticos privilegiem os candidatos ligados aos velhos caciques. Jovens candidatos, mulheres e opositores partidários não tem acesso ao dinheiro. Essa grana vai para os candidatos como a sobrinha do presidente do partido, para o filho do tesoureiro do partido, para o sobrinho do dirigente partidário poderoso. O dinheiro não é distribuído de forma igualitária visando dar oportunidades iguais para todos os candidatos daquela legenda.

A Justiça Eleitoral, além de averiguar com lupa a utilização do dinheiro do Fundo Partidário, também deve fazer cumprir o seu papel, como por exemplo ser célere e ágil nos julgamentos de impugnação de candidaturas e na punição aos candidatos que usam fake news para atacar os adversários. Mentir, enganar e ludibriar o eleitor não deve fazer parte da prática eleitoral. Democracia se constrói com debate, com discussão de propostas e com uma disputa honesta, caso contrário vira um espetáculo de terceira categoria, onde ganha aquele que mente mais e engana o povo. E ninguém gosta de ser enganado.

 

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.


Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.