Na minha época de criança ouvi muito sobre a fábula do Rei Nu. Um rei muito poderoso, mas autoritário e mandão, que mandou fazer uma novo traje de gala, mas nunca gostou de nada que lhe foi apresentado. Até que um dia apareceu alguém com um tecido muito caro e se dizendo um costureiro muito especial. Era tudo mentira. E o rei foi para o desfile se achando maravilhoso no seu novo traje, mas na verdade ele estava completamente nu.

Esse é Jair Bolsonaro, o presidente do Brasil, isolado no seu Palácio da Alvorada, cercado por bajuladores, que dizem que ele está com a popularidade alta, que é querido pelos brasileiros, e que a economia vai bem. Que os 2 milhões de infectados pelo coronavírus e os quase 80 mil mortos são nada mais que invenção da imprensa golpista. Faz dois meses que estamos sem Ministro da Saúde em plena pandemia.

Aquele bando de puxa-saco que vive ao redor do presidente só fala aquilo que ele gosta de ouvir. Quem discorda ou fala a verdade é retirado do grupo ou demitido do cargo em comissão que ocupa no Governo.

Bolsonaro não está nem aí para as mortes que estão explodindo Brasil afora, só demonstra preocupação com a economia, que na verdade depois da crise tem capacidade de se recuperar sozinha. Lembre o governo do presidente Michel Temer. Quando a Dilma Roussef caiu, o Brasil vivia uma recessão de 4%. Um ano e meio depois Temer passou a faixa presidencial para Bolsonaro com a economia recuperada e uma taxa de crescimento de quase 2%.

O Brasil é grande e forte. Se não tiver ninguém atrapalhando ele se recupera sozinho. O agronegócio é a nossa salvação mas parece que o presidente não consegue enxergar isso ao manter o atual Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, um despreparado para o cargo, que conseguiu colocar o Brasil na lista negra do Planeta. Salles fez vista grossa para o desmatamento da Amazônia e pior, ao desmontar toda a estrutura de fiscalização que punia e multava aqueles que destruíam as nossas florestas. Deu salvo conduto para que os criminosos continuassem agindo impunemente.

O agronegócio brasileiro não precisa de novas fronteiras agrícolas, ele precisa de mais eficiência, menos desperdício e de uma melhor infraestutura para escoar e exportar a nossa produção. Era com isso que o presidente Bolsonaro devia estar preocupado, ao invés de proteger garimpeiros e serralheiros ilegais. É uma vergonha para o Brasil e para os brasileiros.

Vamos pagar um preço muito caro pela falta de visão global do nosso presidente, que gosta de se portar como um pequeno ditador em uma república de bananas, onde é melhor estar nu no desfile do que vestido e trabalhando pelo bem de todos.

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.


Alexandre Teixeira

Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.