Quem mora em Curitiba ou na região Metropolitana conhece bem como são esses meses mais frios: muita neblina e cerração. O aeroporto fecha diversas vezes e as manhãs demoram para ver os primeiros raios de sol.

Isso não é novidade para ninguém, mas deve ser novidade apenas para a concessionária que administra o trecho da BR 277 que liga a capital ao litoral do estado. Eles estão lá há quase 3 décadas, ganhando bilhões de reais por ano com a cobrança de um dos pedágios mais caros do Brasil. Em 30 anos parece que não descobriram o que é cerração.

Na última semana um grave acidente feriu mais de 20 pessoas e tirou a vida de outras oito. Vários veículos envolvidos. Uma tragédia que poderia ter sido evitada.

Logo tentaram culpar o motorista do caminhão, dizendo que ele estava correndo. Foram desmentidos pelo tacógrafo do veículo, pelo teste do bafômetro e pelo histórico do caminhoneiro: anos de estrada sem um único acidente na carreira. Depois tentaram culpar as vítimas que estavam na estrada e no acostamento. Não deu certo. Daí culparam a queimada no terreno ao lado da rodovia, alegando que não era responsabilidade da concessionária. Outra tentativa frustrada de se livrar da culpa.

(Imagem ilustrativa by Jiří Rotrekl from Pixabay)

Quem usa as rodovias brasileiras sabe que existiam diversas possibilidades de evitar a tragédia. Poderiam ter sinalizado o trecho de neblina com iluminação de alerta. Podiam ter feito um comboio de veículos para garantir uma travessia segura do trecho sem visibilidade. Podiam ter simplesmente fechado o pedágio e a rodovia até que o trecho estivesse seguro. Não fizeram nada, apenas continuaram cobrando o pedágio como se nada estivesse acontecendo.

O deputado Luiz Carlos Martins foi o primeiro a cobrar providências. Depois o Deputado Romanelli, aquele que furava o pedágio no passado, pegou carona na tragédia para cobrar providências da Agepar. Polícia Rodoviária Federal e o Governo do Estado permanecem em silêncio.

Em silêncio também está um grande plano para dar um golpe na população paranaense. Está em curso o desejo de prorrogar os contratos das concessionárias de pedágio. Eles alegam que a pandemia do coronavírus causou um desequilíbrio econômico no contrato e por isso precisam de mais prazo. O atual Governo do Estado parece ter esquecido que a ex-governadora Cida Borghetti determinou o fim do contrato a partir de 2021 e um novo modelo de concessão, um modelo que atendesse aos interesses da população.

Se ninguém gritar a turma do pedágio vai ganhar e quem vai perder somos todos nós. Que essa tragédia não permita que o paranaense se esqueça da batalha pelo fim desse abuso.

 

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.

 


Alexandre Teixeira

Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.