Os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro podem ficar tranquilos, o Brasil não irá passar por um novo processo de impeachment. Pelo menos até a próxima grande trapalhada do capitão dono da faixa presidencial. Nós últimos dias ele até se comportou direito. Na última reunião ministerial não soltou nenhum palavrão, não ofendeu nenhuma das instituições de Estado, não falou em fechar o Congresso e nem o Supremo Tribunal. Evitou confronto com a imprensa e até mudou o cercadinho dos seus apoiadores de lugar no Palácio da Alvorada para evitar confusão com os veículos de comunicação.

Foto: Divulgação

Bolsonaro mudou de posição graças à uma reunião secreta que aconteceu na semana passada na residência do Presidente da Câmara dos Deputados, o carioca Rodrigo Maia. O presidente não esteve presente, mas se fez representar por dois dos seus ministros militares, que ouviram de Rodrigo Maia, de David Alcolumbre, presidente do Senado, e de outras lideranças políticas reclamações e pedidos.

Depois dessa reunião as coisas começaram a mudar em Brasília.

O presidente baixo o tom. Colocou água na fervura do seu relacionamento com os ministros do Supremo. Se mostrou disposto a fritar o Ministro da Educação em troca de um pouco de paz para trabalhar e dormir. Já que o pesadelo do impeachment estava rodando o seu sono quase que diariamente.

Mas o movimento mais importante foi colocar o genro do apresentador Silvio Santos, o deputado federal Fábio Farias, no comando do Ministério das Comunicações. Bolsonaro recriou um ministério que ele mesmo havia acabado para procurar mais um interlocutor com o Congresso Nacional.

Ao contrário do que as pessoas pensam esse ministério não vai cuidar das verbas de publicidade do governo. Esse dinheiro continuará no comando dos amigos do filho do presidente.

Esse novo ministério vai cuidar das concessões de rádio e tv, da transformação das rádios AM em FM, das políticas públicas na área de telefonia e também da tecnologia 5G da banda larga. Esses itens agradam muita gente, principalmente no Congresso Nacional, onde o novo ministro é considerado um ótimo interlocutor, muito bem articulado e com a qualidade em arranjar aliados e amigos.

Bolsonaro acertou. Resta saber por quanto tempo permanecerá nesse ritmo.

O Brasil vai passar facilmente de um milhão de casos de coronavirus e mais de cem mil mortos. A economia está em frangalhos. O desemprego disparou. Mas Brasília é como a terra da fantasia. Se os deputados e senadores estão bem, o resto, é apenas o resto.

 

Alexandre Teixeira
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.