O brasileiro está acostumado com o jogo de palavras, com pequenas e grandes mentiras, com omissões e traições.

Parece que o nosso povo não liga quando é enganado e ludibriado, e o presidente Jair Bolsonaro aposta nisso para tentar vencer a batalha em que está enfiado até o pescoço.

Ele está fazendo uso da palavra para tentar tampar o sol com a peneira quando diz que não tentou influenciar na condução das investigações da Polícia Federal no Rio de Janeiro. Tenta explicar o inexplicável ao dizer que estava falando da segurança particular da sua família e não sobre as investigações que envolvem ele próprio e os três filhos. Principalmente Carlos, o mais novo, acusado de liderar o gabinete do ódio e a multiplicação de fake news, e Flávio, o senador, investigado pelas rachadinhas no salário de funcionários e o envolvimento com as milícias armadas cariocas.

Foto: Agência Brasil

A tal reunião ministerial que o ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro quer que o conteúdo integral seja liberado à população vai demonstrar apenas que Bolsonaro quer blindar a sua família, quer proteger os seus aliados envolvidos em falcatruas, que não tem respeito pelas instituições democráticas e nem pelos seus ministros, e muito menos preparo e educação para o cargo que recebeu da população brasileira.

Vale lembrar que Bolsonaro só ganhou a eleição por que do outro lado estava a quadrilha do PT. Venceu prometendo que não iria negociar com corruptos e que o jogo do toma lá dá cá havia acabado.

Ledo engano.

O presidente Jair Bolsonaro novamente usa as palavras para trair a população. Como cometeu erros atrás de erros e ficou refém do Congresso Nacional, ele resolveu sacar do governo algumas pessoas para abrir espaço para ex-presidiários condenados por corrupção e lavagem de dinheiro, que são donos de partidos políticos com pouca representatividade mas com enorme capacidade de articulação.

Mas a luz no final do túnel para a população brasileira parece estar mais longe. Ao Congresso Nacional não interessa o fim da crise. Para a maioria do que estão lá, quanto mais tempo durar a crise melhor, porque vão ganhar mais cargos, vão engordar as suas bases eleitorais e vão rir não apenas da cara de Bolsonaro, mas de cada um de nós brasileiros de bem, que querem o melhor para o nosso país.

Ao presidente da República resta o cercadinho de apoiadores na saída do Palácio do Alvorada, os gatos pingados em carreatas pró-golpe, e os generais do Exército que se transformaram em babás de um capitão alucinado e acuado. Vamos continuar rezando para que o melhor aconteça e tudo isso fique no passado.

 


Alexandre Teixeira
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.