Ninguém imagina o mundo sem internet, sem redes sociais ou aplicativos de mensagem como Whatsapp.

Esse novo mundo conectado foi responsável pela democratização das notícias, pela explosão de hábitos de consumo e pela transformação de pessoas comuns em celebridades nas redes.

Junto com tudo isso veio um grande câncer chamado “fake news”. E o Brasil se transformou no grande produtor de notícias falsas do planeta. Uma pesquisa feita durante a última eleição mostrou que 70% dos entrevistados costumavam se informar através de notícias compartilhadas nas redes, e não em sites de empresas jornalísticas.

Esse tipo de comportamento permitiu que as “fake news” ganhassem terreno e se transformassem em crime. Mentiras viraram verdades. Pessoas e instituições foram atacadas por mais diferentes grupos, de direita e de esquerda.

A bagunça era tão grande que o Congresso Nacional abriu uma CPI das “Fake News” e o Supremo Tribunal Federal abriu um inquérito para investigar o tema.

No Congresso a CPI virou um ringue de luta livre mexicana. Deputados brigando de maneira “fake”, enganando o eleitor, e fazendo de tudo para jogar no colo da oposição ou do governo a culpa pelo crime de disseminar notícias falsas. Até hoje não chegaram à uma conclusão.

Mas o inquérito do Supremo andou. Vários mandatos de busca e apreensão foram cumpridos pela Polícia Federal. E todos eles acertaram na mosca no famoso “Gabinete do Ódio”, o famoso grupo liderado pelo filho do presidente da República, o vereador Carlos Bolsonaro. Carlos não fez parte da ação policial, mas vários dos seus amigos e aliados sim.

Sites de notícias alternativas usavam robôs e perfis falsos para disseminar de maneira geométrica mentiras contra opositores, desafetos políticos, imprensa e instituições como os tribunais superiores.

O presidente Jair Bolsonaro não gostou da operação e num momento de fúria resolveu atacar o Supremo Tribunal Federal de maneira violenta. A reação foi desproporcional e agravou ainda mais a crise política brasileira. O Brasil parece estar dividido entre aqueles que ainda acreditam no governo Bolsonaro, e os que pedem o mais rápido a sua saída para que o país possa ter equilíbrio e calma para sair da crise.

A pesquisa do Instituto DataFolha mostra que a rejeição ao governo já bate os 50%. Bolsonaro aposta na governabilidade ao lotear o governo com os fisiologistas do Centrão. O povo brasileiro oscila entre a rebeldia e o protesto, ou entre se manter agarrado ao discurso do ódio e da segregação. A situação tá feia e se não houver bom censo, vai ficar bem pior.