Dias atrás o prefeito Rafael Greca encaminhou para a Câmara de Vereadores um projeto aumentando em 120 milhões de reais o socorro ao sistema de transporte coletivo de Curitiba e Região Metropolitana.

Greca alega que quer evitar um colapso no sistema. Os ônibus precisam rodar mesmo com a pandemia e o distanciamento social, mas o número de passageiros pagantes diminuiu muito, acarretando um desequilíbrio nas contas do FUC, o Fundo de Urbanização de Curitiba, que é para onde vai o dinheiro que os passageiros pagam todos os dias.

Como é época de eleição, os candidatos de oposição logo começaram a atirar pedra para tudo quanto é lado, falando muita coisa com o objetivo de angariar votos e arranhar a popularidade de Greca, que está nas alturas.

Uma coisa que os candidatos a prefeito precisam entender é que o mesmo discurso do transporte coletivo em toda a eleição não pega mais, não cola.

O povo quer saber é como vai sobreviver à crise do coronavírus.

Foto: Cesar Brustolin/SMCS

Vou dar um exemplo que conheço bem de perto. Uma família, pai pedreiro, mãe diarista, têm 3 filhos em idade escolar, moram na periferia pagando aluguel. A vida deles parou e todo o dinheiro que entrava na casa desapareceu. Passaram necessidade, os vizinhos ajudaram até que saiu o auxílio do Governo Federal e garantiu ao menos comida na mesa.

Neste momento eles têm um sonho. Hoje eles não se importam em pegar dois ou três ônibus lotados todo o dia para chegar no trabalho. Trabalho que no final do mês vai garantir dinheiro na conta para alimentar a família e pagar as despesas. Trabalho que hoje eles não se cansam em procurar.

As coisas estão começando a melhorar. Surgiu um bico em uma reforma de um apartamento, e uma vez por semana a mãe está fazendo faxina em uma antiga casa onde trabalhava. É pouco, mas já é uma ajuda.

O casal avisa aos candidatos a prefeito que bater no transporte coletivo não dá mais voto. Os dois querem saber quando vão poder voltar ao que era no passado, quando o casal estava empregado e os filhos na escola, com a merenda garantida e sonho de uma vida melhor mais vivo do que nunca. Se querem falar dos ônibus, a mãe dos meninos manda um recado: ela quer saber do tal passe-livre para poder mandar os filhos estudarem um pouco mais longe de casa sem ter que gastar dinheiro com isso. E o pai só quer saber quando vai poder subir num ônibus em direção à obra de construção.

Os políticos brasileiros precisam entender duas coisas: o mundo mudou e o eleitor não é bobo.

 

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.


Alexandre Teixeira

Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.