Acabou em virtude da prisão do senhor Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro.
A prisão de Fabrício se deu em virtude de um esquema de desvio de dinheiro público na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. Segundo o Ministério Público carioca, durante 16 anos o então deputado estadual Flávio e seu assessor ficavam com parte do dinheiro dos salários dos funcionários de gabinete. Queiroz era o responsável por arrecadar o dinheiro, dividir os recursos com o deputado, além de fazer pagamento em espécie das despesas pessoais da família do parlamentar, como por exemplo, as mensalidades das escolas das filhas.

Acabou em virtude da prisão do senhor Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o Ministério Público, o parlamentar usou uma loja de chocolates num shopping e a compra de imóveis para lavar o dinheiro proveniente da chamada “rachadinha”.

O grande problema nesse momento é se Fabrício Queiroz vai ou não fazer um acordo com o Ministério Público e contar tudo o que sabe e o que pode provar sobre Flávio Bolsonaro. E se as provas podem ou não chegar até o presidente Jair Bolsonaro, o que poderia fazer andar os diversos pedidos de impeachment que dormem na gaveta de Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados.

A questão é ainda maior porque envolve o crime organizado no Rio de Janeiro. Os indícios apontam que Queiroz era o braço político da milícia carioca. A milícia é formada por grupos paramilitares, PMs e ex-PMs, que atuam nas comunidades pobres do Rio, como seguranças, vendendo gás, controlando TV a cabo e internet, além do tráfico de drogas e armas.

Nos próximos dias vamos saber se Fabrício Queiroz é um miliciano raiz ou um miliciano de shopping. Se ele abrir a boca é bem provável que a crise política em Brasília aumente muito, gerando mais instabilidade ainda. Se permanecer calado deve garantir um pouco de tranquilidade para a família do Presidente, que se complicou nessa história toda a ver o seu advogado pessoal envolvido no esquema. O desconhecido Frederick Wassef emprestou sua casa na cidade de Atibaia para que Fabrício Queiroz permanecesse longe das garras da lei.

Atibaia é a mesma cidade onde o ex-presidente e ex-presidiário Lula da Silva desfrutava de um sítio equipado pelas propinas das empreiteiras que prestavam serviço para a Petrobras.

Tudo isso é a realidade do Brasil. Corrupção, desvio de dinheiro público, milícias armadas, uma polícia que gosta de fazer espetáculo, um Ministério Público que vaza informação para parte da mídia, e o povo vendo a vaca ir para o brejo. Nessa hora parece que é salve-se quem puder.

 

Alexandre Teixeira
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.