Foi um Natal completamente diferente dos outros natais das nossas vidas. Um Natal sem abraço, sem beijos, com poucos pessoas ao redor da mesa. Um Natal de reflexão sobre um ano atípico onde o mundo foi colocado de joelhos por um vírus chamado corona.

Alguma famílias nem tiveram o direito de compartilhar a ceia de Natal com os seus entes queridos, alguns deles morreram vítimas da pandemia que no Brasil infectou mais de 7 milhões de pessoas. Triste tudo isso que estamos passando.

Mas Natal é tempo de reflexão e um bom momento para pensarmos o que estamos fazendo com o mundo. Precisamos tanto desse consumo desenfreado? Dessa montoeira de presentes, que depois da noite de Natal acabam esquecidos em algum canto da sala ou do quarto? Precisamos gastar tanto dinheiro com futilidades enquanto o que é essencial fica em segundo plano?

Nesses meses de confinamento por conta do coronavírus algumas coisas foi possível aprender, a principal delas é que é possível viver com menos. Você não precisa da bolsa da moda, da calça de grife ou do sapato de sola vermelha para ser feliz, você precisa de saúde, de amigos e da família para ter uma vida plena e saudável.

A pandemia veio para dar uma lição na humanidade. Chega de desperdício alimentar enquanto milhares ainda morrem de fome ao redor do mundo. Chega de consumir produtos que são feitos em fábricas que exploraram o trabalho dos seus operários como se ainda fossem escravos. Chega de poluir a água do planeta com lixo, esgoto, plástico e outras tantas coisas que acabam por deixar a nossa saúde em péssimo estado. Chega de entregar o nosso futuro nas mãos de terceiros, de políticos preocupados e se perpetuarem no poder e não em gerar benefícios e qualidade de vida para a população.

O Brasil é um país complexo, de muitas diferenças culturais e econômicas, onde os mais ricos, que são apenas 1% da população, detêm mais de 90% de toda a riqueza produzida no país. Não é preciso muita reflexão para entender que esse modelo não se sustenta mais, é preciso compartilhar e dividir mais essa riqueza, é preciso fazer isso urgentemente.

Sonhamos com um Brasil mais próspero, mais igualitário, menos preconceituoso e  menos racista. Sonhamos com um país com menos violência, com menos diferenças e com mais amor.

Que esse Natal diferente, distante, mas alegre na sua tristeza, sirva para que mudemos de atitude, que iniciemos um novo ciclo de vida buscando um Brasil melhor para todos.