O que precisamos fazer enquanto sociedade para que os crimes de racismo, homofobia, feminicídio, pedofilia, estupro, entre outros crimes hediondos desapareçam do nosso dia a dia?

É uma vergonha que um homem negro, seja morto por asfixia, por dois seguranças de um supermercado enquanto a supervisora do próprio estabelecimento filma a selvageria. Foi morto por ser negro, foi morto por não aceitar ser destratado, foi morto por puro preconceito.

Somos uma sociedade onde a casa grande e a senzala não se misturam. Onde os poderosos não gostam de ter à mesa pessoas que venham de classes sociais que eles consideram que são inferiores às deles. Isso é muito comum no ambiente político. Os donos dos partidos são os mesmos faz muito tempo, são capitanias hereditárias, que passam de pai para filho.

Existem regiões do Brasil onde o sexo com menores de idade é aceito. A necessidade, a fome, a miséria, transformam o ato de amor em uma moeda de troca.

Os casos de estupro têm aumentado muito no Brasil. A culpa é sempre da vítima, que usa uma roupa provocante, que bebeu demais ou que apenas disse não ao agressor. Quando a vítima denuncia ela acaba agredida, ofendida, perseguida, sofre outro tipo de estupro, o estupro moral. Basta ver o caso da jovem de Santa Catarina, destruída moralmente numa audiência pelo advogado do agressor, sem que o Juiz ou Ministério Público fizessem absolutamente nada. As penas são muito brandas e muita vezes o estuprador, quando condenado, nem chega ir para a prisão, cumpre a pena em liberdade, beneficiado por recursos e uma legislação ultrapassada.

Na pandemia os casos de agressão contra mulheres no ambiente familiar dispararam. A culpa é do coronavírus? Que fez as pessoas ficaram em casa, que não deixou ninguém ir à rua ou a culpa é de uma sociedade que educa os meninos para serem superiores, que tudo podem, que tudo querem e que tratam as mulheres como objetos, como sua propriedade?

O Brasil precisa parar de fingir que estes problemas não existem e que não são graves. Queimar um supermercado, brigar com a polícia, cometer vandalismo não ajuda em nada. O que ajuda é colocar o dedo na ferida, discutir políticas públicas de inclusão para as minorias, investir pesado em educação e em programas de distribuição de renda. A desigualdade só ajuda que diferenças sociais e culturais se transformem em abismos intransponíveis. É triste ver o Brasil seguir exemplos ruins, é triste ver um país dominado pelas manchetes policiais e pela violência. Temos que mudar essa realidade. Não dá mais para esperar. Não dá mais para ficar calado, vendo tudo isso acontecer. Temos que fazer alguma coisa diferente e urgente.

 

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.


Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.