Se tem uma coisa quase impossível de uma pessoa normal conseguir é falar com o prefeito, governador ou presidente. Você já se imaginou tentando? Batendo um papo com essas altas autoridades? É realmente uma fantasia que quase ninguém consegue realizar. Mas existe um dia na vida de todo mundo onde esse diálogo é possível, é o dia da eleição, onde você manda um recado para quem o governa, para quem cuida da sua cidade ou do seu país. É o dia em que você vota contra ou a favor dessas pessoas.

O presidente Jair Bolsonaro ouviu um amargo e indigesto recado das urnas. Não conseguiu eleger praticamente nenhum dos prefeitos de capitais que ele estava apoiando. Está apostando todas as suas fichas na reeleição de Marcelo Crivella no Rio de Janeiro, que concorre contra Eduardo Paes, ex-prefeito e do mesmo partido do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Dos vereadores que o presidente Bolsonaro apoiou só o seu filho caçula, Carlos, conseguiu se reeleger, mesmo assim com muito menos votos que na última eleição, o restante dos candidatos deu com os burros n’água.

Presidente da República, Jair Bolsonaro. Foto: Marcos Corrêa/PR

Esse resultado negativo significa que a população não está satisfeita com o presidente Bolsonaro. O seu estilo de gestão, de comandar as coisas, não está agradando a grande maioria. O pessoal está cansado de ver esses ataques de grosseria em público, de broncas e gritos, de atitudes de uma criança mimada e não de um presidente da República. O povo está feliz que não existem casos de corrupção como no passado do Petrolão, mas também não é cego quando descobre um senador, vice-líder do governo, com dinheiro na cueca desviado das verbas para combater o coronavirus.

Mas não foi só o presidente Jair Bolsonaro que tomou um recado na cara nessas últimas eleições. Lula foi outro que amargou uma grande derrota. Parecia que ia ressurgir das cinzas, o presidiário, condenado, que se diz vítima de uma grande armação, perdeu em praticamente todos os lugares por onde passou dando apoio. Lula aplicou o beijo da morte em todos os candidatos do seu partido, que a cada dia encolhe mais, vítima da sua própria arrogância em não reconhecer os erros do passado.

Aos políticos os eleitores brasileiros deram vários recados diretos. Aqueles que foram corretos, competentes, e bons gestores ganharam um voto de confiança. Aqueles que fizeram campanha na base da fake news, da agressão ao adversário e no velho estilo de prometer mundos e fundos, não só perderam como saíram menores. E aos novos políticos, que apesar de não se elegerem fizeram bonito, o recado é: fiquem prontos e espertos, porque na próxima vez quem sabe a vaga é de vocês. O eleitor brasileiro mudou, ele não é mais um número, numa urna em uma sessão eleitoral, ele sabe que hoje ele existe, pode dar o seu recado e ser ouvido.

 

*Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da Banda B.


Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.