O presidente Jair Bolsonaro sempre foi um estranho no ninho pelos partidos por onde passou. E não foram poucos os partidos políticos do nosso presidente, foram nove mudanças de legenda ao logo dos anos, entre 1989 quando começou na política até o dia hoje. O PP, Partido Progressista, foi onde ele ficou mais tempo, 11 anos, mas teve partido como o finado PFL, hoje Democratas, que ele ficou apenas algumas semanas filiado.

Bolsonaro sempre foi radical nas ideias e nessa época o Brasil passava pela reconstrução da sua democracia, com eleições diretas e muito diálogo. O nosso presidente nunca foi muito de conversa, de estar numa mesa de negociação para dialogar ou buscar o consenso. Ele foi acostumado a receber e dar ordens e por isso vivia à margem do processo político.

Foi tratado como um político do baixo clero.

(Foto: Antonio Cruz/ Agência Brasil)

Baixo clero são aqueles deputados que exercem pouco influência, que não possuem grupo, e que representam apenas o seu voto nas grandes discussões nacionais.

Só que isso mudou depois do escândalo de corrupção do PT e que levou o Lula, de ex-presidente a presidiário.

O discurso ficou polarizado. Bolsonaro ganhou espaço propondo uma ruptura e achou no PSL, um partido nanico e sem nenhuma expressão, a oportunidade de alçar vôos maiores. Deu certo, foi eleito, brigou com o PSL, envolvido em escândalos de uso de laranjas nas eleições, e agora saiu.

Essa semana Bolsonaro lançou um partido para chamar de seu, o Aliança pelo Brasil, que tem o número 38, o mesmo do famoso calibre de revolver, a base da nova legenda.

Agora Bolsonaro precisa coletar 500 mil assinaturas, mandar todas elas para o Tribunal Eleitoral, essas assinatura de apoio serão verificadas e a partir dai o Aliança terá possibilidade de disputar as eleições, ter direito ao famoso Fundo Partidário.

O que vamos ver agora é um corre corre de políticos tentando ingressar na nova legenda para serem os amigos de primeira hora do presidente. A turma do fisiologismo, que está pensando em poder e não em fazer política para o bem do Brasil. Esse é o problema de permitir tantos partidos políticos. O eleitor brasileiro está perdido em um mar de legendas, onde ninguém sabe o porque delas existirem, e muitos o que elas fazem pelo bem da população brasileira. Vamos ver o que o novo três oitão do Bolsonaro tem de proposta para o Brasil fora o seu nome.

* Alexandre Teixeira
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas.

Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.