Ninguém tem o direito de brincar com a vida das pessoas. Muito menos um governante, por mais popular ou impopular que ele seja. As pessoas elegem alguém para criar boas políticas públicas, alguém capaz de promover o desenvolvimento, cuidar da saúde e da educação, combater a corrupção e a desigualdade social. É para isso que os brasileiros vão às urnas a cada dois anos, para escolher gestores públicos com compromisso. E não para ser manipulado e enganado.

Foto: Rafaela Felicciano/Metrópoles

O presidente Jair Bolsonaro deu um péssimo exemplo ao permitir que o Ministério da Saúde deixe de divulgar os números de mortos e contaminados pelo coronavírus. Isso é crime. O Ministério Público tem o dever de agir nesse caso.

O nosso presidente e os seus assessores diretos acham que os governadores estão aumentando o número de casos para prejudicar a imagem do Governo Federal. Mandam o Ministério da Saúde parar de divulgar números para tirar a realidade da pandemia dos jornais televisivos da noite, com o claro objetivo de reduzir o tamanho do problema de maneira mentirosa. O pior é que o general quatro estrelas aceitou calado a ordem para mentir.

O planeta inteiro ficou impressionado com tamanha loucura e irresponsabilidade cometida pelo governo, que foi reprovada e criticada por todas as organizações ligadas à saúde.

Genocídio foi uma das palavras usadas para qualificar o ato do governo.

Mesmo voltando atrás, retomando a divulgação dos números, depois do desastre do ato, não é possível mais acreditar em nenhuma palavra do governo.

Somos como o marido traído, o corno, ele pode até perdoar a companheira, mas nunca vai esquecer a traição, sempre ficará desconfiado, com a pulga atrás da orelha, a cada dúvida que ele tiver em relação à conduta alheia.

É assim quando você perde a confiança naquele que você elegeu para governar o país.

A cada erro, Bolsonaro perde mais apoio.

A aprovação que antes estava acima dos 50%, hoje não chega a 30% dos eleitores brasileiros. Fora aqueles que não foram às urnas nas última eleições. Se somar este grupo o índice de aprovação do presidente é ainda menor. Bolsonaro já não é uma unanimidade em se falando de reeleição. A cada dia perde mais apoiadores e musculatura. Quando ele resolve brincar com a comunidade internacional, com a população em geral, com os profissionais da saúde e com as famílias que perderam um parente, morre um brasileiro a cada minuto por coronavírus, ele dá um tapa na cara de cada um de nós, pedindo a outra face como se merecesse o perdão pelos erros cometidos.

 

Alexandre Teixeira
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas. Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.