Minha mãe ouviu da minha avó um ditado que todos nós brasileiros conhecemos bem, “em boca fechada não entra mosca”. Segundo o dicionário, significa que em certas ocasiões é mais prudente manter o silêncio para evitar consequências desagradáveis. Popularmente a gente diz que: para não falar uma M…. É melhor ficar de boca fechada.
Mas infelizmente no Governo do Presidente Jair Bolsonaro é impressionante a quantidade de declarações inconvenientes, preconceituosas e desagradáveis ditas pelo mais alto escalão. 
Na semana que passou, o governo conseguiu se superar na pessoa do senhor Paulo Guedes, ministro da Economia.
“Até as domésticas iam para a Disney”, foi a frase dita pelo ministro para justificar o dólar no maior patamar da história recente, e que ganhou repercussão internacional pelo preconceito, desrespeito e de uma falta de noção que causou espanto em todos os setores da sociedade. Seria impossível de imaginar que tamanha besteira saindo da boca de um professor universitário, homem de uma inteligência privilegiada e um dos responsáveis por colocar a economia do Brasil no bom caminho.
Ministro Paulo Guedes – Foto: Ag. Brasil
Paulo Guedes errou feio e até o momento não pediu perdão ou desculpas pela grosseria e pelo preconceito.
Paulo Guedes deve isso as todas as mulheres brasileiras que com o serviço doméstico criaram homens e mulheres, brasileiros das mais diferentes crenças e opções, pessoas que são responsáveis por famílias inteiras, pessoas que educam que amam os outros.
O ministro deve também desculpas por até o momento não ter feito o prometido quando ajudou o presidente Jair Bolsonaro a ganhar a eleição. A economia melhorou, mas não no patamar que ele disse que iria alcançar.
Esse tipo de declaração infeliz, a soberba e certas atitudes têm afetado a tramitação de muitos projetos importantes no Congresso Nacional. Calar a boca não faz mal para ninguém. O silêncio e o trabalho ajudam mais que palestras e discursos foram de contexto. Paulo Guedes deveria ficar mais em Brasília trabalhando do que viajando por ai e dando uma de porta-voz do milagre econômico.
Num país sério um ministro da Economia não iria falar tamanha besteira em público, mas se falasse já teria sido demitido pelo presidente ou pelo primeiro ministro. Mas estamos no Brasil, onde vale tudo, onde essas coisas são vistas de maneira normal, faz parte do nosso cotidiano sermos ofendidos e humilhados por quem se acha superior social e economicamente falando. Vida que segue e até a próxima declaração infeliz.
Alexandre Teixeira
Jornalista formado pela Universidade Federal do Paraná e pós graduado em gestão pela Fundação Getúlio Vargas.

Tem passagens por diversos veículos de comunicação, como TV Bandeirantes, TV OM (hoje CNT) e Gazeta do Povo, onde permaneceu por 11 anos.