No mundo politico a expressão “ciúmes de homem” é muito comum. Isso acontece quando algum político ou homem público consegue mais visibilidade que aquele, que em tese, deveria ser o líder ou comandante do grupo.

Essa semana o presidente Jair Bolsonaro deu mais um exemplo de que tem graves problemas de liderança e de ego, ao publicamente criticar o médico Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde, dizendo que ele estava aparecendo demais e querendo impor a sua opinião sem ouvir ele ou seus amigos militares ou até mesmo os seus filhos.

Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta. Foto: Carolina Antunes/PR

Bolsonaro passou recibo, demonstrou ter ciúmes da sua equipe de trabalho, ser inseguro e não ter capacidade de liderar o país neste momento de uma crise sem precedentes. Antes do surgimento do coronavírus, o presidente estava bem junto à opinião pública. A economia estava melhorando, o desemprego diminuindo e as reformas na máquina administrativa andando. Daí surgiu uma pedra no meio do caminho e Bolsonaro tropeçou nela.

O presidente não está preparado para o cargo, isso ficou claro nas últimas semanas. Quer fazer valer a sua opinião contra a de técnicos e especialistas. É como se você fosse ao médico, ele te examina, dá o diagnóstico e receita um remédio. Mas daí você passa no açougue, comenta com o atendente e ele diz conhece do assunto, que o médico está errado e que você não precisa fazer nada daquilo, e que tudo vai passar. Você joga a receita fora e vai para casa como se nada tivesse acontecido.

O resultado da postura do Bolsonaro está ai para qualquer um ver.

Os três ministros mais importantes do governo nesse momento, Paulo Guedes da Economia, Sérgio Moro da Justiça e Mandetta da Saúde, se uniram e conseguiram impor ao presidente uma postura mais técnica.

O Congresso Nacional tem imposto derrota atrás de derrota ao presidente, mostrando que a paciência está curta entre deputados e senadores. A base de apoio a Bolsonaro tem diminuído à cada dia.

O poder Judiciário já avisou ao presidente que se ele tomar qualquer medida contra as orientações técnicas do Ministério da Saúde, elas serão derrubadas pelos ministros do Supremo.

Bolsonaro foi enquadrado, está a cada dia mais isolado, sozinho, trancado no gabinete do ódio.  Rompe o isolamento no final de semana em busca da popularidade junto ao homem do churrasquinho. Ele está fazendo uma aposta arriscada e corre o sério risco de ir para casa mais cedo do que ele imagina.